Salvador

Alvo de polêmica em 2025, 'Passarela do Apartheid' volta a ser erguida em camarote de Salvador

Reprodução/Redes Sociais
Passarela montada no meio do Circuito Barra-Ondina liga Morro Ipiranga a camarote, que não garante liberação e utilização para este ano  |   Bnews - Divulgação Reprodução/Redes Sociais
Matheus Simoni

por Matheus Simoni

matheus.simoni@bnews.com.br

Publicado em 25/01/2026, às 09h41



Motivo de revolta por parte de foliões e artistas no ano passado e até mesmo alvo de uma briga judicial, a passarela que liga o Camarote Glamour ao Morro do Ipiranga voltou a ser construída para a folia deste ano. Imagens registradas por foliões na última semana mostram que a estrutura, que foi batizada de "Passarela do Apartheid", já tem boa parte do equipamento montado para o carnaval. De acordo com os organizadores do camarote, a ideia é dar "conforto, organização e segurança" para quem pode comprar um dia de festa no espaço.

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No entanto, segundo o próprio empreendimento, o acesso principal segue sendo pela Avenida Oceânica, já que a passarela não tem autorização e liberação garantida para este ano. O trecho, considerado como um acesso alternativo, foi "pensado como um item adicional de conveniência".

"A implantação e o funcionamento da passarela dependem de autorização e liberação dos órgãos competentes, incluindo (quando aplicável) as vistorias e aprovações técnicas exigidas para estruturas temporárias e operação durante o evento. Assim, a utilização da passarela estará condicionada à concessão dessas autorizações e poderá sofrer ajustes, restrições de horário ou não ser disponibilizada, conforme determinações oficiais e critérios de segurança", diz um texto informativo disponibilizado pelo Glamour no site oficial.

Passarela
Passarela construída em 2025 foi alvo de polêmicas e chegou a ser interditada durante o Carnaval 2025 (Foto: BNews)

Disputa na Justiça

A passarela virou motivo de embate jurídico envolvendo a empresa responsável pelo espaço, o Instituto de Arquitetos do Brasil — Seccional Bahia (IAB-BA) e a prefeitura da capital baiana. Conforme revelou o BNews, o imbróglio aconteceu após uma ação do departamento de arquitetos baianos, que questionou a legalidade da obra. A passarela foi interditada na quinta-feira de carnaval em decisão tomada pelo juiz substituto de 2º grau Adriano Augusto Gomes Borges, da Terceira Câmara Cível do TJ-BA.

No dia seguinte, a Justiça da Bahia autorizou o uso da passarela com a apresentação de novos laudos técnicos. Na época, o prefeito Bruno Reis defendeu o equipamento e disse que a ligação do Morro Ipiranga com o Camarote atendeu a todos os requisitos legais.

A ação, no entanto, sequer foi julgada e aguarda a realização de audiência de instrução desde o dia 14 de maio do ano passado, além da apresentação de provas e prazos para réplicas.

Críticas nas redes sociais

Um dos artistas que tomaram a frente nos questionamentos foi o cantor da banda Baiana System, Russo Passapusso. Ele compartilhou em suas redes sociais uma crítica referente à passarela montada no circuito Barra-Ondina. "Ainda nem passou ninguém e aquela peça de concreto da base da ponte, que não tem perfuração, ela já se deslocou na terra aonde foi colocada. Vocês podem ver aquela parte de ferro com parafuso está voando, já se deslocou da madeira, que já se deslocou do concreto. Com a chuva e a inclinação, isso aqui pode ceder, derrapar e cair lá embaixo da pista nos foliões", disse o denunciante no vídeo.

Neste ano, o coletivo SOS Áreas Verdes, que faz diversos alertas sobre as questões ambientais da capital baiana, fez uma publicação criticando a instalação do equipamento polêmico. Confira:

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