Salvador
Publicado em 08/07/2025, às 09h31 Dandara Amorim
A greve dos professores da rede municipal de Salvador já completou 60 dias. Entre manifestações dos educadores e responsáveis das crianças, a principal demanda da categoria é o reajuste salarial a partir do piso salarial nacional, de R$ 4.867,77. Desde fevereiro, a classe busca respostas do poder municipal. Por outro lado, a prefeitura da capital baiana afirma que a tentativa de diálogo vem acontecendo sem retorno da classe dos educadores.
Segundo a gestão municipal, 135 mil estudantes estão sem aulas, 426 escolas vazias e mais de 8.400 professores estão fora das escolas.
Desde que os primeiros protestos aconteceram nas ruas de Salvador, o tom seguiu o mesmo. A greve foi anunciado no dia 6 de maio e já ganhou outros contornos. A disputa pelo pagamento do piso também figura no Tribunal de Justiça da Bahia, que considerou a greve ilegal, no dia 7 de maio, em decisão liminar, o juiz Adriano Augusto Gomes Borges, que determinou a suspensão imediata do movimento e o retorno dos servidores em até 24 horas, sob pena de multa diária de R$ 15 mil.
Em outra instância, no Supremo Tribunal Federal (STF), a decisão de ilegalidade foi mantida em análise do ministro Dias Toffoli, com a determinação do retorno dos docentes às salas de aula. O magistrado estudou o caso ao julgar uma reclamação da APLB-Sindicato, que representa a categoria de profissionais. A entidade contestava a sentença do TJ-BA.
A tensão entre a categoria e o poder municipal acirra cada vez mais durante esses dois meses, com episódios de protestos nas ruas, dentro da Câmara Municipal e até no Dia da Independência do Brasil na Bahia, celebrado no último dia 2 de julho, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que levantou um cartaz cobrando o piso para o prefeito Bruno Reis (União Brasil).
De acordo com uma professora que preferiu não identificar, "a prefeitura fez cortes no mês passado de quem está na greve". "Cortou a metade do salário dos professores. E disse que vai pagar quando acabar a greve, se fizer a reposição", disse ela ao BNews.
2 de julho
O cortejo cívico-militar do 2 de Julho revelou as tensões entre a prefeitura de Salvador e os professores. A manhã para celebração do Dia da Independência do Brasil na Bahia, que reuniu população e a classe política, foi de provocação, gritos de guerra e vaias.
Quando o prefeito Bruno Reis foi questionado sobre os acontecimentos da greve da categoria, minimizou a qustão e destacou que não existe crise em sua gestão. “Que crise? Não tem crise nenhuma. A cidade está bem e não poderia estar melhor”, reagiu.
Na oportunidade, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstrou apoio aos professores municipais de Salvador. O posicionamento inclinado a favor dos manifestantes foi feito através de uma placa com a mensagem: “Prefeito, nos devolva o plano e pague o piso”.
Cronologia da Greve
17 de fevereiro: O Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Bahia (APLB) envia à Secretaria Municipal da Educação (Smed) uma solicitação de reajuste do piso.
12 de março: Protesto dos professores em frente a Smed
6 de maio: Início da greve
7 de maio: Tribunal de Justiça da Bahia determina suspensão da greve, com multa de R$ 15 mil ao Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Bahia (APLB)
22 de maio: Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) determinou o aumento da multa diária aplicada à APLB-Sindicato, que representa a categoria, elevando o valor para R$ 100 mil.
22 de maio: A Câmara de Vereadores iniciou a sessão extraordinária que pretendia votar o reajuste salarial dos servidores da cidade, incluindo os professores. Os sindicalistas invadiram o auditório do Centro de Cultura, onde a votação foi realizada. Alguns vereadores foram agredidos pelos manifestantes.
27 de maio: Em coletiva de imprensa, Bruno Reis negou que os professores não tenham sido recebidos pelos gestores da prefeitura.
11 de junho: O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou uma reclamação feita pela APLB-Sindicato contra a decisão do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) que considerou ilegal a greve dos professores da rede municipal de Salvador.
2 de julho: Manifestações dos professores da rede municipal contra Bruno Reis. Por outro lado, o prefeito nega: "Que crise?".
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