Salvador
O presidente da APLB-Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia, Rui Oliveira, se posicionou contra o possível fechamento da Escola Municipal Paulo Mendes de Aguiar, no bairro do Rio Sena, em Salvador, e criticou a condução da Secretaria Municipal da Educação (Smed) diante da decisão.
Em entrevista à rádio Baiana FM (89,3), nesta quarta-feira (17), Rui afirmou que esteve pessoalmente na unidade para conversar com pais, responsáveis e moradores da região, a fim de compreender as demandas da comunidade, e fez críticas diretas ao secretário municipal de Educação, Thiago Dantas.
"O secretário Thiago Dantas não visita escola nenhuma, não sai do gabinete, e quer fechar uma escola sem ouvir a comunidade. O pleito aqui é pela permanência da unidade", declarou.
Segundo o presidente, a decisão, anunciada aos pais via e-mail, desconsidera a vontade dos moradores do bairro, que organizaram um abaixo-assinado pedindo a manutenção da escola.
"A gente faz um apelo ao prefeito Bruno Reis, que se autointitula do Calabar, para que respeite a comunidade do Rio Sena. A vontade da comunidade é que deve prevalece", disse.
Entre os argumentos apresentados para a continuidade das atividades da unidade, Rui Oliveira destacou os riscos no deslocamento dos estudantes para outras escolas da área. De acordo com ele, a transferência pode comprometer a segurança de alunos e responsáveis.
"Fechar essa escola para deslocar as crianças para outra área vai colocar em risco a integridade física de alunos e responsáveis. A escola precisa ser melhorada, não fechada", afirmou.
Intervenção do MP
A Escola Municipal Paulo Mendes de Aguiar tem mais de 40 anos de existência, foi criada pela própria comunidade e atende crianças da Educação Infantil ao 1º ano do Ensino Fundamental. O bairro conta apenas com um Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI), que já opera com capacidade limitada e fica a mais de 700 metros da unidade, o que dificulta o deslocamento de muitas famílias.
A mobilização da comunidade levou o Ministério Público da Bahia (MP-BA) a intervir oficialmente no caso. Em recomendação encaminhada ao prefeito Bruno Reis e ao secretário Thiago Dantas, o órgão pediu a suspensão imediata de qualquer ato que resulte no fechamento da escola, destacando a ausência de diálogo com a comunidade, de deliberação do Conselho Escolar e de manifestação prévia do Conselho Municipal de Educação.
A recomendação do MP também cobra explicações sobre a realocação dos estudantes. Há relatos de pais de que escolas municipais próximas, como a Radialista Raimundo Varela e o CMEI Maria Emília Gadelha Viana, não dispõem de vagas suficientes para absorver os alunos da Paulo Mendes de Aguiar.
O órgão exige que a gestão municipal informe onde essas crianças serão matriculadas em 2026, se haverá indução à transferência para escolas privadas conveniadas e a quem pertence o imóvel onde funciona a unidade escolar.
Ao BNews, Manuela Santos, mãe de um menino de 7 anos diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e que estuda na Escola Municipal Paulo Mendes de Aguiar, criticou a forma como a decisão foi comunicada, alegando que houve uma falta de respeito e consideração para com as famílias.
Foi uma surpresa. Em pleno aniversário da escola, com as crianças felizes, recebemos um ofício por e-mail informando o fechamento. Não houve consideração em conversar pessoalmente, ouvir a comunidade ou explicar às crianças e às famílias. A escola tem infraestrutura, segurança e acolhimento. Foi criada pela comunidade e faz parte da história do bairro. Não entendemos por que vai fechar", afirmou.
Ainda segundo relatos, circulam boatos de que o espaço poderá ser transformado em uma praça ou em um Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), mas não há confirmação oficial.
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