Salvador
Com presença marcante nas orlas de Salvador, os vendedores ambulantes desempenham papel fundamental não apenas no sustento de milhares de famílias, mas também na consolidação da chamada Economia do Mar na Bahia.
Em entrevista ao projeto Semana Azul BNews - Economia do Mar, o presidente da Assidivam (Associação Integrada de Vendedores Ambulantes e Feirantes de Salvador), Mário Lopes, revelou mais da metade da atividade econômica da capital tem origem no comércio informal, um reflexo direto da força dos trabalhadores de rua e, principalmente, dos que atuam nas praias.
“É fundamental o trabalho dos ambulantes nas praias de Salvador. 54,1% da economia da cidade é voltada ao comércio informal. São milhares de pessoas que tiram o sustento na faixa de areia e nas ruas”, destacou Lopes.
Apesar da relevância, o líder da categoria aponta entraves históricos para a valorização e fortalecimento do setor, especialmente na ausência de crédito e políticas públicas inclusivas. “Quando sai uma linha de crédito, não atinge 5% dos trabalhadores. A maioria não consegue acessar por restrições e burocracias. Falta um programa de crédito que realmente contemple essa categoria, que é o grande celeiro de emprego de Salvador”, criticou.
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O papel do Estado
Após as declarações de Lopes ao projeto Semana Azul BNews, o secretário do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte da Bahia (Setre), Augusto Vasconcelos, ressaltou que o Governo da Bahia possui ações implementadas para atender os trabalhadores informais.
“O nosso governo tem diversos projetos voltados a ambulantes e trabalhadores informais. O programa Bahia MEI estimula a formalização como microempreendedor individual, oferecendo orientação, qualificação e assistência técnica. Já o Cred Bahia concede microcrédito de até R$21 mil para aquisição de matéria-prima ou equipamentos”, afirmou o secretário em resposta ao BNews.
Vasconcelos também destacou iniciativas voltadas à economia solidária e ao fortalecimento da categoria em grandes eventos: “Durante o Carnaval e o São João, desenvolvemos ações para garantir trabalho decente, oferecendo espaços de descanso, alimentação e apoio logístico. Queremos avançar ainda mais e estamos construindo novos caminhos junto ao sindicato e às associações representativas”.
Ambulantes x Faixa de areia nas praias
Em janeiro deste ano, a Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop) definiu novas regras para ordenamento de mesas, cadeiras e sombreiros de ambulantes que trabalham no Porto da Barra, em Salvador. A situação ocorreu após denúncias de excesso de ocupação na faixa de areia do local, que é um dos pontos turísticos da capital baiana.
Depois da implementação da Semop, os instrumentos de trabalho que ocupavam parte do local foram retiradas pelos próprios barraqueiros como forma de protesto, no final de janeiro.
Ao ser lembrado sobre o caso pela equipe de reportagem do BNews, Mário Lopes enfatizou que problemas como estes são resolvidos com a valorização dos trabalhadores informais.
“O grande celeiro de emprego de Salvador vem dos ambulantes, é importante que a sociedade saiba disso, que a imprensa saiba disso. É lá que tem, eu digo que está sob a responsabilidade da prefeitura municipal de Salvador, esse grande número de emprego, emprego sem trabalho, porque as pessoas estão nas ruas, estão na faixa de areia trabalhando, vendendo, seja lá o que for. “
A equipe do BNews entrou em contato com a Secretaria Municipal de Ordem Pública, com o intuito de obter informações sobre a atuação do órgão na manutenção da integridade dos ambulantes na capital baiana, no entanto, não recebemos resposta.
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