Saúde
por Cibele Gentil
Publicado em 13/05/2026, às 09h50 - Atualizado às 13h41
Em meio a toda a polêmica que foi gerada em torno da Ypê, a Química Amparo, dona da marca, afirma ter mudado o sistema de tratamento de água, principal ingrediente usado na fabricação de seus produtos líquidos. A medida foi adotada após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ter encontrado contaminação bacteriana em lotes da empresa, durante fiscalização da realizada em novembro de 2025.
O que ocorreu
Na ocasião, a agência determinou o recolhimento de 14 lotes de produtos, depois de ter detectado a bactéria Pseudomonas aeruginosa em três tipos de lava roupas líquidos. Na última semana, a fabricante voltou a ser alvo de sanções por conta de reincidência nas falhas no controle de qualidade.
“Não é para nenhum produto estar contaminado”
De acordo com Eduardo Beira, diretor de operações da Química Amparo, o problema estaria resolvido e não deveria haver contaminação nos produtos Ypê. "Desde dezembro passamos a implantar um plano de ação em acordo com as determinações da Anvisa e não é para nenhum produto estar contaminado", afirmou.
Protocolos de controle
Conforme esclarecimentos da empresa, os novos controles incluem a quarentena de sabão líquido, que possibilita monitorar eventual crescimento de bactérias nos produtos. Outra medida é a adoção de osmose reversa, um sistema de purificação de água que utiliza pressão visando remover até 99% de contaminantes.
Uma outra ação que deve ser testada pela empresa é a adoção de ozônio como etapa complementar de desinfecção. A Ypê também informou que contratou uma consultoria global especializada em soluções e serviços de água, higiene e prevenção de infecções.
Agente contaminante
A bactéria encontrada em novembro é favorecida por ambientes úmidos e pode causar diferentes tipos de infecção. Os riscos à saúde incluem desde irritações leves de ouvido até pneumonia, especialmente em idosos, pessoas com câncer ou pacientes hospitalizados.
Reincidência
Em uma nova visita este mês, a Anvisa identificou que a Química Amparo, vice-líder do mercado de limpeza doméstica e dona das marcas Ypê e Tixan, não seguia todas as normas da RDC 47. A norma contempla o Regulamento Técnico de Boas Práticas de Fabricação (BPF) para produtos saneantes.
Na RDC, estão requisitos mínimos de qualidade, segurança e eficácia na fabricação, desde matérias-primas até o produto final. Diante da reincidência, a Anvisa determinou, na quinta-feira (7), a paralisação da produção e da comercialização das categorias líquidas de produtos. A proibição incluiu as categorias de detergente, sabão para lavar roupas e desinfetante.
Revogação e recomendação
A Química Amparo obteve a suspensão da proibição na sexta-feira (8) por meio de um recurso administrativo, defendendo que os produtos não estavam contaminados. No entanto, a Anvisa manteve a recomendação contra o uso dos produtos líquidos Ypê. Nesta quarta-feira (13), a agência decidirá se o efeito suspensivo, aplicado automaticamente, continuará valendo ou não.
"Não temos nenhuma comprovação de contaminação. O que tivemos foram alguns lotes em dezembro do ano passado que fizemos a recolha, eles estavam contaminados com a bactéria", diz Beira. "A partir dali, nós fizemos um plano muito robusto com a Anvisa para adequação às normas", afirma.
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