Saúde

Cigarro eletrônico: 46 entidades assinam documento para manter proibição do dispositivo

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Os médicos consideram eles mais perigosos do que os cigarros tradicionais

Publicado em 09/05/2022, às 17h32    Reprodução    Redação BNews

A Associação Médica Brasileira (AMB) juntamente com outras 45 entidades médicas divulgaram um documento sobre os chamados dispositivos eletrônicos para fumar - os defs. Os médicos consideram eles mais perigosos do que os cigarros tradicionais.

Apesar de proibidos desde 2009, os cigarros eletrônicos estão à venda em comércios. A AMB estima que 650 mil pessoas fumem com esses dispositivos, a maioria jovens.

Segundo o g1, atualmente está em curso a chamada "tomada pública de subsídios", em que a Anvisa colhe dados técnicos e científicos relacionados ao tema para reavaliar se muda ou não a regra atual. Esse processo deve levar pelo menos 30 dias.

De acordo com o presidente da AMB, durante a última década, estudos apontaram que os cigarros eletrônicos podem ser piores que o cigarro tradicional. “Existe um dispositivo, parece um pen drive, que tem uma concentração muito maior de nicotina do que os outros dispositivos. A quantidade de nicotina faz com que existem uma menor irritação ao inalar o vapor, isso faz com que a pessoa use aquilo várias vezes por dia. então isso leva uma dependência muito maior”, explica Ricardo Meirelles, presidente da AMB.

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Mas parece que a preocupação dos médicos não está apenas na nicotina e nas outras substâncias tóxicas do fumo. A bateria e a resistência do cigarro eletrônico usadas para formar o vapor também podem soltar metais que acabam inalados pelo fumante, aumentando ainda mais o risco de câncer.

Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, o cigarro eletrônico causa ainda problemas cardiovasculares, como infarto e AVC. “Diferentemente do cigarro convencional que demora de 20 a 30 anos para manifestar doença no usuário, o cigarro eletrônico tem mostrado essa agressividade em menos tempo”, diz Aristóteles Alencar, da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

O farmacêutico Antônio Arnaldo de Carvalho Machado Neto nem fumava quando ganhou de presente um cigarro eletrônico em 2019. Após um ano e meio foi parar no hospital por conta de três paradas cardíacas. Arnaldo ficou 43 dias na UTI.

“O cigarro eletrônico quase me fez morrer. Eu tive muitas complicações por causa do cigarro eletrônico. A primeira deles foi que o meu pulmão parou. Ficou quase 100% sem trocar. Eu tive um problema que ele forma um óleo, que envolve os alvéolos e meu pulmão parou quase 100%”, diz Antônio.

As doenças causadas pelos dispositivos para fumar já têm até uma denominação em inglês. "evali". Traduzindo para o português, lesão pulmonar induzida pelo cigarro eletrônico.

Para convencer a Anvisa a não mudar de posicionamento, a Associação Médica Brasileira cita dados do CDC - órgão regulador dos Estados Unidos -- que registrou, até janeiro de 2020, 2711 casos de "evali", com 68 mortes.

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