Saúde
por Leonardo Oliveira
Publicado em 27/11/2025, às 07h36 - Atualizado às 09h39
Drogas ligadas ao narcotráfico, como cocaína e maconha, estão sendo utilizadas para melhora do desempenho de quem pratica musculação, de acordo com um estudo feito por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP).
As drogas se unem aos esteroides anabolizantes e outras substâncias que costumam ser usadas para ganho de massa muscular e para combater efeitos colaterais decorrentes deles.
Segundo especialistas, a relativização do uso e o ganho de espaço dessa prática pode aumentar a quantidade de usuários e desencadear riscos à saúde pública. O leque de drogas vai de cocaína e maconha até efedrina, utilizada para produção de metanfetamina.
Além disso, inclui também insulina, tadalafila e substâncias do tipo Sarms, que são moduladores de receptores androgênicos, utilizados para potencializar o efeito de esteroides nas células.
Como foi feito o estudo
A análise foi realizada entre dezembro de 2024 e outubro de 2025 em grupos de vendas e troca de informações sobre as drogas no WhatsApp e no Telegram. Em um estudo netnográfico, que consiste em acompanhar de perto indivíduos de uma determinada cultura para sintetizar um perfil acerca do grupo, foram listadas 46 drogas no total.
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De acordo com o responsável pelo estudo, o pesquisador Marcel Segalla, da Faculdade de Medicina da USP, a cocaína é utilizada como potencial emagrecedor e melhora de atenção. Essa droga é usada pontualmente entre os usuários.
No caso da maconha, sua utilização é para efeito analgésico, para reduzir as dores musculares pós-treino. O uso também é associado à melhoria no sono (importante no processo de ganho de massa muscular) e para aumentar o apetite. As drogas são anunciadas nas redes sociais e nos próprios grupos dos aplicativos de mensagens.
"No caso da maconha, há também um uso associado ao controle da agressividade. Como alguns esteroides podem elevar a agressividade entre os usuários, eles recorrem à Cannabis para reduzir esse efeito", explica Marcel Segalla.
Usuários e disseminação
O consumo é realizado por homens e mulheres de diferentes ocupações e extratos sociais. De acordo com a pesquisa, motoristas de aplicativo, guardas municipais, faxineiras, fisioterapeutas e até médicos estão nesse perfil.
Segundo o psicólogo do esporte e especialista em psicopatologia pela USP, Maurício Henriques Damasceno, trata-se de um fenômeno perigoso. O culto a essas substâncias é amplificado pela demonstração de corpos perfeitos nas redes sociais e pela pressão estética que isso causa.
"Esse tipo de conteúdo [sobre drogas] se tornou disponível em uma escala nunca antes vista. E desperta uma fragilidade que o indivíduo por vezes já carrega consigo, acerca de seu corpo e de sua performance. Isso foi muito bem captado pelos mercadores dessas substâncias", afirma Damasceno, que é psicólogo da Doctorália.
Ele continua: "meninos aprendem desde cedo a se identificar com o ideal do corpo grande e musculoso, e meninas, com o corpo sensual. São elementos que, inconscientemente, vão derrocar na necessidade de alcançar esses padrões na vida adulta".
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