Saúde
por Antonio Dilson Neto
Publicado em 28/09/2026, às 16h42 - Atualizado às 17h11
Até 80% das mulheres podem apresentar alterações emocionais nos primeiros dias após o nascimento do bebê, como irritabilidade, ansiedade, choro, dificuldade para dormir e sensação de cansaço. Mas, segundo a psiquiatra Luciana Oliva, coordenadora do Núcleo de Saúde Mental da Mulher da Holiste Psiquiatria, é importante diferenciar essas mudanças da depressão pós-parto.
São sintomas leves, que duram no máximo duas semanas e passam espontaneamente. É o que chamamos de blues puerperal ou ‘baby blues’”, explica.
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Quando os sintomas são mais intensos, persistem por mais de duas semanas e começam a prejudicar a rotina da mulher ou os cuidados com o bebê, o quadro pode ser de depressão pós-parto, também chamada de depressão perinatal.
A condição pode, inclusive, começar ainda durante a gravidez.
Não dá para olhar só para a parte biológica. O pós-parto traz muitas mudanças ao mesmo tempo”, afirma Luciana. Entre os fatores que podem aumentar o risco estão histórico de transtornos mentais, gravidez não planejada, complicações médicas, parto prematuro, falta de apoio familiar ou do parceiro e dificuldades financeiras.
A especialista chama atenção ainda para um sintoma que pode assustar muitas mães: os pensamentos intrusivos. Eles podem envolver acidentes, doenças, morte ou até imagens da própria mãe machucando o bebê.
Esses pensamentos e imagens não representam um desejo da mãe. São pensamentos intrusivos, que surgem contra a vontade dela e causam muito sofrimento justamente porque vão contra tudo o que ela sente pelo filho”, explica.
Entre os sinais que merecem atenção estão tristeza e choro frequentes, perda de prazer, isolamento, ansiedade intensa, culpa excessiva, sensação de incapacidade como mãe, desesperança e dificuldade para cuidar do bebê. Pensamentos relacionados à morte ou ao suicídio exigem avaliação imediata.
Não é preciso esperar duas semanas se os sintomas já forem intensos desde o início”, alerta a psiquiatra.
Ela também diferencia a depressão da psicose pós-parto, quadro mais raro que pode provocar confusão, alucinações, delírios e comportamento desorganizado e exige atendimento médico imediato.
O tratamento depende da intensidade do quadro. Nos casos leves, psicoterapia e uma rede de apoio fortalecida podem ser suficientes. Em situações moderadas ou graves, antidepressivos podem ser utilizados, com avaliação individual durante a gravidez ou amamentação.
Para Luciana, o mais importante é evitar que a doença seja confundida com falta de amor ou fraqueza.
A depressão pós-parto não é fraqueza nem falta de amor pelo filho. É uma doença que tem tratamento, e quanto antes a ajuda chega, melhor para a mãe, para o bebê e para toda a família.”
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