Saúde

Empresário detona plano de saúde após descredenciamento de clínica para tratamento da filha: "Se sentem à vontade para cometer crimes"

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Empresário Cristiano Costa diz que a medida vai afetar bastante o tratamento da filha que já está na mesma clínica há 3 anos  |   Bnews - Divulgação Reprodução/ Instagram @obaianochurrasqueiro
Bernardo Rego

por Bernardo Rego

Publicado em 20/07/2026, às 16h33 - Atualizado às 16h53



O empresário Cristiano Costa, dono do perfil O Baiano Churrasqueiro, foi às redes sociais reclamar de uma decisão tomada pelo plano de saúde Cassi em relação ao tratamento de sua filha que tem síndrome de down.

Segundo Cristiano, o seguro de saúde decidiu de forma unilateral cancelar o credenciamento junto a uma clínica onde a sua filha faz as terapias regulares, por isso gerou revolta já que foram indicadas outras clínicas que não possuem a mesma capacidade de onde acontece o tratamento atualmente. 

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"Ela deve ter uns três anos mais ou menos nessa clínica atual. E é uma clínica muito bem estruturada, justamente por ter uma boa estrutura, a gente conseguiu avançar muito bem no desenvolvimento de minha filha. A gente conseguiu otimizar o tempo dela. Ela consegue numa segunda-feira pela manhã e ela consegue fazer tudo num turno", contou em entrevista ao Bnews. 

Ele disse ainda que a filha faz terapia praticamente desde o nascimento porque necessita de estímulos para poder desempenhar as atividades que a ajudam no seu desenvolvimento com o objetivo de deixá-la mais próxima de uma vida normal.

Sobre a decisão da Cassi ele clasisificou como grave porque vai causar um transtorno muito grande para a filha e a família como com um todo já que havia uma rotina delineada, além de um progresso no desenvolvimento da paciente. 

"A CASSI faz com essa decisão unilateral é de extrema gravidade porque fere o estatuto da pessoa com deficiência, fere leis que proíbem que o plano de saúde faça isso e fere também normas estabelecidas pela ANS. Então, quando a gente fala em mudar de clínica é sempre um transtorno muito grande, porque você acaba jogando fora todo o trabalho que foi desenvolvido nos últimos três anos.  São outros profissionais, outra estrutura de clínica, outros horários, outros dias, outros endereços, outra metodologia de ensino. Então, é como se ela começasse do zero, detalhou Cristiano durante entrevista ao Bnews.

Cristiano ressaltou ainda que está procurando a Justiça para contestar a decisão da Cassi e poder retomar as atividades que a sua filha já faz há algum tempo sem que haja prejuízo ao seu desenvolvimento. 

Advogado faz alerta sobre a decisão da Cassi

O Bnews também procurou o advogado especialista Direito médico e da saúde, Leonardo Martinez, sócio do escritório Martinez & Netto, para trazer alguns esclarecimentos das medidas jurídicas que podem ser tomadas nesses casos e se cabe até um pedido de indenização por danos morais. 

“Não conheço concretamente a situação relatada pelo pai da criança e, por isso, não posso emitir opinião sobre esse caso específico. Contudo, sob a perspectiva jurídica, é importante destacar que o descredenciamento de um prestador pelo plano de saúde não pode resultar na interrupção abrupta e desorganizada de um tratamento continuado, especialmente quando se trata de criança com deficiência ou de paciente em acompanhamento especializado", iniciou o advogado em entrevista exclusiva ao Bnews. 

"Nessas situações, devem ser observadas garantias essenciais, como a preservação do vínculo terapêutico, o cumprimento da prescrição médica e a continuidade assistencial. Antes de qualquer alteração na rede credenciada que impacte o tratamento, o plano de saúde deve assegurar uma alternativa efetivamente equivalente, apta a garantir a continuidade da assistência nos mesmos padrões indicados pela equipe médica, sem qualquer prejuízo ao paciente", acrescentou Martinez. 

"Além disso, toda essa análise deve observar os princípios constitucionais, em especial a dignidade da pessoa humana, a proteção integral e a prioridade absoluta asseguradas às crianças e aos adolescentes pela Constituição Federal e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, bem como os direitos previstos na Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, que reforçam o dever de garantir acesso contínuo e adequado aos serviços de saúde. Ainda assim, nenhuma conclusão pode ser generalizada, pois cada paciente possui necessidades clínicas próprias. Por essa razão, cada caso deve ser analisado individualmente, à luz de suas particularidades, das prescrições médicas e das garantias legais aplicáveis", pontuou o advogado. 

Quando questionado se nesse caso cabe pedir uma indenização, Martinez explicou que o caso precisa ser analisado de forma individual para assegurar que a paciente tenha a "continuidade  da assistência integral ao paciente, nos exatos moldes prescritos pelo médico assistente, preservando o vínculo terapêutico e resguardando os direitos fundamentais da criança ou do adolescente e da pessoa com deficiência."

Ele explicou também que se houver qualquer prejuízo decorrente da interrupção indevida do tratamento há a possibilidade de requerer uma indenização  por danos materiais e morais. Martinez fez questão de frisar que a ação individual não tem por objetivo impedir o descredenciamento, "mas garantir que ele não produza prejuízo ao tratamento específico daquele paciente." O Poder Judiciário, segundo o advogado, tem por dever assegurar o direito do paciente à continuidade do tratamento.

Advogado
Arquivo Pessoal


O Bnews procurou a Cassi para falar sobre a denúncia. Em nota, o plano de saúde informou que "a participante permanece com a assistência integralmente assegurada, conforme suas necessidades de saúde, compromisso permanente da CASSI com todos os seus beneficiários."

O plano de saúde disse ainda que dispõe de rede credenciada composta por 12 clínicas especializadas em Salvador e outras duas em Lauro de Freitas, todas aptas e com capacidade instalada para prestar atendimento adequado aos participantes que necessitam de terapias especializadas na região metropolitana de Salvador.

Ainda conforme a nota, as clínicas oferecem os recursos terapêuticos necessários ao atendimento dos participantes, em conformidade com as indicações assistenciais e com as coberturas previstas na regulamentação da saúde suplementar.

O plano de saúde assegura ainda que a substituição da rede credenciada não implicará interrupção da assistência nem prejuízo à continuidade terapêutica da participante, permanecendo garantido o acesso aos serviços necessários, com qualidade e segurança para nossos participantes.

A nota diz ainda que o descredenciamento mencionado não decorre de redução de despesas com o tratamento dos participantes. Todos os prestadores credenciados para essas terapias na região metropolitana de Salvador são remunerados com base na mesma tabela de honorários, inexistindo diferenciação de valores entre eles que pudesse justificar a substituição da rede por motivo financeiro.

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