Saúde
por Leonardo Oliveira
Publicado em 24/06/2025, às 07h00
Uma nova esperança na luta contra o Alzheimer pode estar em um lugar inesperado: um medicamento usado para tratar a insônia. Pesquisadores da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, descobriram que o fármaco Lemborexant tem o potencial de proteger o cérebro contra o acúmulo da proteína Tau, uma das principais vilãs da doença neurodegenerativa.
Publicado na prestigiada revista científica Nature Neuroscience, o estudo pré-clínico (realizado em camundongos) revela um novo caminho promissor, focando em um alvo diferente dos medicamentos atuais e reforçando a profunda ligação entre a qualidade do sono e a saúde do cérebro.
A conexão entre o sono e o Alzheimer
O Alzheimer é uma doença progressiva que afeta a memória e outras funções cognitivas. Sua causa exata ainda é desconhecida, mas a ciência aponta para o acúmulo de duas proteínas tóxicas no cérebro como fator principal: a Beta-Amiloide e a Tau. A má qualidade do sono está diretamente ligada ao aumento dessas proteínas.
Os medicamentos aprovados para o tratamento inicial do Alzheimer atuam especificamente contra a Beta-Amiloide. No entanto, segundo o neurologista David Holtzman, um dos autores do novo estudo, esses remédios não conseguem retardar a doença tanto quanto a ciência gostaria. Por isso, sua equipe decidiu focar na outra proteína: a Tau.
Como um remédio para dormir protegeu o cérebro
A equipe de Washington investigou o Lemborexant, um medicamento para insônia aprovado nos EUA e em análise pela Anvisa no Brasil desde 2022. Os resultados nos testes com camundongos foram animadores.
O medicamento não apenas melhorou a qualidade do sono dos animais, mas também reduziu significativamente os níveis anormais da proteína Tau no cérebro.
Em comparação com camundongos que receberam placebo ou Zolpidem (outro remédio para dormir), os que tomaram Lemborexant reativaram até 40% mais volume no hipocampo, a região do cérebro essencial para a formação da memória.
"Precisamos de maneiras de reduzir o acúmulo anormal da proteína Tau e a inflamação que o acompanha, e vale a pena analisar mais a fundo esse tipo de auxílio para dormir", afirmou Holtzman.
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A chave para o sucesso do tratamento
O segredo do Lemborexant pode estar em seu mecanismo de ação, que é diferente de outros indutores do sono. Ele atua bloqueando a Orexina, um neuropeptídeo que regula o estado de vigília. Ao "desligar" esse sinal de alerta, o remédio promove um sono mais natural e profundo.
Para confirmar a teoria, os pesquisadores desativaram geneticamente o receptor de Orexina nos camundongos e observaram a mesma redução no acúmulo de Tau. Isso indica que a própria Orexina pode ter um papel no avanço da neurodegeneração, e bloqueá-la pode ser uma estratégia terapêutica eficaz.
Cautela e próximos passos
Apesar do otimismo, os cientistas ressaltam que ainda há um longo caminho a percorrer. As principais limitações do estudo são:
- A pesquisa foi realizada em camundongos, e os resultados precisam ser replicados em estudos com humanos.
- Os efeitos protetores foram vistos apenas em camundongos machos, e ainda não se sabe por que as fêmeas não responderam da mesma forma.
- O Lemborexant é aprovado apenas para uso a curto prazo. Os efeitos do uso contínuo, que seriam necessários para um tratamento preventivo de Alzheimer, ainda são desconhecidos.
Mesmo com essas questões, a descoberta abre uma nova e empolgante frente de pesquisa, sugerindo que modular o sono pode ser uma ferramenta poderosa para proteger nosso cérebro contra uma das doenças mais devastadoras da atualidade.
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