Saúde

Novembro Azul: Urologistas desmistificam exame de toque e debatem 'masculinidade frágil'

Ilustrativa/Freepik
Muitos homens evitam o exame de toque por receio de julgamentos e medo de que afete sua masculinidade  |   Bnews - Divulgação Ilustrativa/Freepik
Cauan Borges

por Cauan Borges

cauan.borges@bnews.com.br

Publicado em 12/11/2024, às 06h00



Apesar do avanço nas campanhas de conscientização sobre o câncer de próstata, como o Novembro Azul, o exame de toque retal ainda é cercado por estigmas e preconceitos entre os homens. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens brasileiros, com cerca de 65 mil novos casos diagnosticados a cada ano. 

No entanto, muitos homens evitam o exame por receio de julgamentos e medo de que afete sua masculinidade. De acordo com uma pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), 47% dos homens entre 40 e 70 anos nunca realizaram o exame por conta de preconceitos enraizados e pela falta de conhecimento sobre a importância do diagnóstico precoce.

Esse estigma acaba impactando diretamente na saúde dos homens, levando ao diagnóstico tardio e, consequentemente, a tratamentos mais invasivos e taxas de mortalidade mais altas. Um estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) revelou que homens com menos informação sobre a saúde masculina têm 60% mais chances de evitar consultas preventivas. 

Como combater o receio e preconceito com os pacientes?

Em entrevista cedida ao BNews, o urologista Jailson Campos revelou sua abordagem com pacientes que estão com receio de fazer o exame de toque: “Quando converso com pacientes hesitantes, começo desmistificando o exame, destacando sua importância na detecção precoce do câncer e outros problemas. Explico que é um procedimento rápido, seguro e que, apesar de algumas barreiras culturais, é fundamental para a saúde do homem.”

dr. jailson

Já sobre a questão da masculinidade frágil, o Dr. destaca algumas manobras de convencimento para amenizar o “medo de deixar de ser homem” dos pacientes: “Enfatizo que cuidar da saúde é um ato de coragem e responsabilidade, e que a masculinidade inclui buscar bem-estar e qualidade de vida. Acredito que a educação é uma abordagem descomplicada é essencial para desconstruir essa visão de que o exame afeta a masculinidade,” completou.

Para complementar o assunto enfatizar outras experiências profissionais, o BNews também coletou o depoimento do urologista Filipe Prado. O médico demonstrou confiança nos pacientes hesitantes: “Os homens já perceberam que nem sempre ir ao urologista significa fazer exame do toque, bem como nenhum deles é obrigado a realizá-lo. É fundamental conversar com seu urologista de confiança e expor suas preocupações, medos e preconceitos”, destacou Filipe.

dr filipe

Dr. Filipe ainda revelou uma estratégia inusitada ao convencer seus pacientes antes de executar o exame de toque: “Costumo dizer, ao paciente que tem vergonha, que a ida ao urologista pode ser sigilosa, um segredo entre nós.”, completou o médico.

Classificação Indicativa: Livre

Facebook Twitter WhatsApp Google News Bnews


Cadastre-se na Newsletter do Bnews (Beta)