Saúde
O câncer de mama é um dos tipos mais comuns entre mulheres no Brasil e no mundo, mas se diagnosticado no tempo certo, pode chegar a 95% de chance de cura após o tratamento adequado.
Em meio à campanha Outubro Rosa, que conscientiza sobre a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do tratamento do câncer de mama, o BNews traz histórias inspiradoras de mulheres que venceram a doença.
Gabriela Oliveira, Policial Militar e Professora, fugiu dos casos comuns e foi diagnosticada com câncer de mama ainda aos 34 anos. Na época, 21 anos atrás, ela desconfiou da doença após realizar o autoexame, que viu na televisão.
"Eu comecei a apalpar e percebi que tinha um caroço. E aí eu procrastinei, já deveria ter ido logo, mas depois de mais ou menos uns três meses fui ao médico fazer a ultrassom e não detectou o câncer", contou.
Em sua história, ficam nítidas a falta de informação e de divulgação dos meios corretos para se tratar o câncer de mama. Após o próprio médico fazer pouco caso do assunto, ela seguiu fincomodada com o caroço e decidiu tirá-lo com um cirurgião plástico, que a orientou a fazer uma biopsia.
Mesmo retirando o tumor e sem conhecer a fundo o caso, o cirurgião informou a Gabriela que ela poderia perder a mama por causa doença, o que a deixou em pânico. "Ele me assustou bastante, eu saí de lá em prantos, arrasada e achando que eu ia morrer. Não tinha informação nenhuma sobre a doença e saí de lá muito mal", disse.
Depois disso, ela fez o exame correto e descobriu que estava, realmente, com câncer de mama. "Foram 10 dias de expectativa, e houve aquele baque de novo. Aquele sofrimento, eu sem saber o que fazer, abalou toda a minha família", contou.
Já para Teresinha Lima, o sinal de alerta veio através de um exame de sangue, aos 47 anos.
"Sempre abro os resultados dos meus exames antes de levar ao médico. Abri e li a palavra CARCINOMA (um tipo de câncer). Peguei o dicionário para entender o diagnóstico. Ao perceber do que se tratava, fiquei em silêncio, respirei fundo, me deitei na cama e fechei meus olhos", contou a secretária, hoje aposentada aos 65 anos.
Ela conta que não enfrentou dificuldades práticas para fazer o tratamento, graças ao seu plano de saúde, mas salienta a importância da sua rede de apoio para enfrentar a doença de cabeça erguida.
"[O que me manteve firme] foi minha fé em Deus, o amor da minha família, meu esposo que desde o resultado esteve o tempo todo do meu lado, dormiu no hospital, me acompanhou nas quimios. Minha cunhada é médica e acompanhou todas as etapas do meu tratamento. Minhas irmãs revezavam durante os dias no hospital. Os que não podiam me acompanhar no processo, estavam na minha casa".
Ela citou o filho e o sobrinho, que ajudavam a pentear seus cabelos e conta que também teve apoio para os afazeres domésticos e tocar sua vida em meio ao tratamento, que contou com uma cirurgia para a retirada do tumor na mama esquerda e outra para a retirada dos linfos.
Gabriela, hoje aos 55 anos, reconhece que poderia ter feito diferente em seu tratamento se tivesse mais acesso a informação, que afetava até sua família que tratava a doença como um tabu. Mesmo assim, conseguiu fazer as terapias através do plano de saúde e não esconde o quanto foi difícil.
"Eu não dormia a noite, eu sentia muito o fato de ter ficado careca. Chorava muito, o tratamento foi muito agressivo, tive hemorragia, mas graças a Deus eu tive pessoas que estiveram comigo. Também fui acompanhada por psicóloga no período, que foi muito triste", relatou.
Ela precisou passar por uma quadrantectomia, cirurgia que retira 1/4 da mama, e demonstra extrema gratidão a sua rede de apoio, sobretudo sua família, suas amigas e seu marido, que na época ainda era noivo. "Todo momento as pessoas que estavam me rodeando estavam sempre comigo", salienta.
Outra grande dificuldade para Gabriela foi não conseguir realizar um de seus maiores sonhos: o de ser mãe. "Quando já tinha terminado a quimio e a radioterapia, eu engravidei e foi uma felicidade tão grande na minha vida. Mas por conta da quantidade de química que ainda tinha no meu organismo, eu perdi o bebê antes de completar dois meses. De lá para cá, nunca consegui engravidar depois", contou.
Um dos pontos mais importantes para Teresinha durante o tratamento era não perder sua autonomia, mesmo cercada de pessoas ao redor.
"A única coisa que eu queria era que respeitassem as minhas vontades, o direito de decidir com as coisas mais simples: O que gostaria de comer, vestir, ficar no meu cantinho conversando com Deus e receber visitas. Todas as vezes que alguém for fazer visitas, sejam parentes, amigo,s procurem saber se a pessoa quer ser visitada. Isso é importante e faz diferença".
Após toda a dificuldade de um longo tratamento, ela recebeu a notícia de que estava curada do câncer com uma enorme gratidão. "A Deus, a equipe médica, plano de saúde, a toda minha família por estarem comigo lutando e me fazendo acreditar que tudo daria certo, como deu", disse.
Para Gabriela, a emoção foi parecida. "Muita alegria, você se sente tirando um peso das costas. É uma felicidade que eu não sei explicar. O tratamento foi doloroso, mas é imensa a alegria em já estar curada".
Para outras mulheres que vivem nesse momento a batalha contra o câncer de mama, ela deseja passar uma mensagem de esperança. "Agora a medicina está muito mais avançada e a cura existe. Faça o tratamento correto, tenha fé em Deus porque Deus cura, e enfrente. Tente se manter de pé, não esmorecer e pensar sempre positivo, porque vai dar certo".
Teresinha também prega a fé em Deus e o tratamento correto como fundamentais para passar pelo processo. "Acalme seu coração, converse com Deus, peça discernimento e confiança no tratamento para que dê tudo certo. Confie".
"Ninguém está preparado para receber um diagnóstico desses. Nem médico, nem paciente, família, nem amigos. A reação é a mesma: no primeiro momento o silêncio, depois o respiro forte, por último procurar palavras para explicar o inexplicável", desabafou.
Esses são apenas dois dos inúmeros casos de mulheres fortes e batalhadoras que enfrentam a doença e reafirmam a importância do diagnóstico precoce, da informação e do tratamento correto. A fé, o amor e o acolhimento podem potencializar o que a ciência possibilitou ao longo dos anos: o câncer de mama tem cura.
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