Saúde
por Leonardo Oliveira
Publicado em 22/05/2025, às 06h00
O tratamento do glaucoma, principal causa de cegueira irreversível no mundo, enfrenta um grande desafio no Brasil: a falta de adesão dos pacientes ao uso correto dos colírios. Segundo um estudo publicado na revista Scientific Reports, do grupo Nature, cerca de 20,9% dos brasileiros diagnosticados com a doença abandonam completamente o tratamento em até um ano. Além disso, entre um e dois em cada cinco pacientes passam a esquecer de usar o colírio pelo menos uma vez por semana após seis meses de tratamento.
O glaucoma é uma doença genética que provoca aumento da pressão intraocular devido ao acúmulo do humor aquoso, líquido que preenche o interior do olho.
O problema ocorre quando o sistema de drenagem desse líquido começa a falhar, fazendo com que ele pressione o nervo óptico, que vai sendo danificado de forma irreversível. No Brasil, cerca de 2 milhões de pessoas convivem com a doença.
De acordo com o médico Ricardo Palleta Guedes, pesquisador da Universidade de Juiz de Fora e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Oftalmologia, o tratamento inicial costuma ser feito com colírios.
Esses medicamentos podem agir reduzindo a produção do humor aquoso, facilitando sua drenagem ou desobstruindo os canais por onde o líquido escoa. Em estágios iniciais, muitas vezes um único colírio é suficiente, mas, com o avanço da doença, pode ser necessário associar dois ou três tipos diferentes.
A adesão ao tratamento, porém, é um grande obstáculo. Idosos, que costumam tomar vários remédios para outras condições, podem se confundir com os horários e a quantidade de colírios. Já entre adultos mais jovens, o desânimo e a falta de disciplina são frequentes, principalmente quando é preciso usar mais de um colírio em horários específicos.
Homens são os que mais esquecem o uso correto: até 29% admitem falhas no tratamento ou não levam o medicamento ao trabalho. Além disso, alguns colírios precisam ser mantidos refrigerados, o que dificulta ainda mais o uso regular.
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O abandono ou uso irregular do tratamento faz com que a pressão intraocular volte a subir, colocando em risco o nervo óptico e a visão do paciente. O oftalmologista alerta: assim como quem tem diabetes não pode deixar de usar insulina, quem tem glaucoma precisa seguir rigorosamente as orientações médicas para evitar complicações graves.
Por isso, é fundamental que pacientes diagnosticados com glaucoma entendam a importância da disciplina no uso dos colírios e mantenham o acompanhamento regular com o oftalmologista para preservar a saúde dos olhos e a qualidade de vida.
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