Saúde
por Leonardo Oliveira
Publicado em 13/06/2025, às 13h50
Conhecidos como os "zeladores" do oceano, os pepinos-do-mar podem guardar um segredo revolucionário para a medicina. Uma nova pesquisa liderada pela Universidade do Mississippi, nos EUA, descobriu que um composto de açúcar produzido por esses animais marinhos tem o potencial de frear a progressão do câncer, abrindo um novo e promissor caminho para tratamentos oncológicos.
O estudo, publicado na prestigiada revista científica Glycobiology, revela que a substância é capaz de bloquear uma enzima chave que os tumores usam para crescer e se espalhar pelo corpo.
Como o composto do pepino-do-mar age contra o câncer
A chave da descoberta está em um tipo de açúcar chamado sulfato de condroitina fucosilado, encontrado na espécie Holothuria floridana de pepino-do-mar. Esse composto age diretamente sobre a enzima Sulf-2.
Para entender a importância disso, é preciso saber como o câncer se desenvolve:
A "floresta" protetora: A superfície das nossas células é coberta por estruturas complexas de açúcar chamadas glicanos, que funcionam como uma "floresta" essencial para a comunicação celular e a resposta imune.
A ação do vilão: As células cancerígenas alteram a enzima Sulf-2, que por sua vez modifica e "bagunça" essa floresta de glicanos. Essa desordem cria um ambiente perfeito para o tumor crescer e se espalhar (metástase).
O bloqueio do herói: O açúcar do pepino-do-mar consegue inibir a ação da Sulf-2. "Se pudermos inibir essa enzima, teoricamente podemos combater a propagação do câncer", explica Vitor Pomin, professor envolvido no estudo.
Vantagens cruciais sobre os medicamentos atuais
A descoberta se torna ainda mais relevante devido aos benefícios que o composto marinho apresenta em comparação com outras drogas que miram a mesma enzima.
Não afeta a coagulação sanguínea: O principal diferencial é que a substância não interfere na coagulação do sangue. Muitos medicamentos que atuam na Sulf-2 podem causar efeitos colaterais graves, como sangramentos descontrolados, um risco que não foi observado com o composto do pepino-do-mar.
"É promissor que esta molécula específica com que estamos trabalhando não tenha esse efeito", ressalta o professor Joshua Sharp, um dos autores.
Fonte mais limpa e segura: Atualmente, alguns medicamentos à base de carboidratos são extraídos de porcos, um processo caro e que apresenta risco de contaminação por vírus. O pepino-do-mar é considerado uma fonte "mais benéfica e limpa", sem esse risco de transmissão de patógenos.
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O desafio da produção em massa
Apesar do otimismo, os pesquisadores enfrentam um grande obstáculo: a escassez. Não há pepinos-do-mar suficientes nos oceanos para uma produção em massa de medicamentos. "Não se consegue toneladas de pepinos-do-mar", afirma Pomin.
Por isso, o próximo passo crucial da pesquisa é encontrar uma maneira de sintetizar o composto de açúcar em laboratório. O desenvolvimento de uma "rota química" permitirá a produção em larga escala e o avanço para os testes em modelos animais, uma etapa fundamental antes de qualquer aplicação em humanos.
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