Polícia
Publicado em 03/09/2026, às 06h00 Reprodução Adelia Felix
A esposa do entregador Cirilo Carvalho, de 27 anos, baleado durante uma ocorrência de trânsito em Salvador, comemorou a prisão preventiva do policial militar Rodrigo Wanderley Ramos Bonfim, cumprida nesta quarta-feira (2).
Dez dias depois de ser baleado na perna durante uma ocorrência de trânsito em Salvador, o trabalhador segue internado no Hospital Geral do Estado (HGE), aguardando uma cirurgia e sentindo fortes dores.
Em entrevista ao BNEWS, Samile Sahade afirmou acreditar que classificou a prisão como um primeiro passo na busca por justiça.
“Tenho fé que a mobilização que venho fazendo nas redes sociais deu mais voz ao nosso caso e dá uma sensação de dever cumprido, embora eu saiba que essa batalha apenas começou e que eu ainda terei que lutar muito”, declarou.
Rodrigo Wanderley Ramos Bonfim, de 38 anos, é investigado por atirar contra Cirilo após um desentendimento no trânsito, ocorrido no dia 24 de agosto, na região da Avenida Paralela, em Salvador.
Segundo a Polícia Civil, o investigado teria efetuado um disparo, à curta distância, contra a perna da vítima, além de proferir ameaças de morte. O projétil atingiu a região acima do joelho direito.
Inicialmente, Cirilo foi identificado como motorista de aplicativo. No entanto, a esposa esclareceu à reportagem que ele trabalhava como entregador da Amazon e realizava entregas no momento da ocorrência.
Internado no HGE, Cirilo recebeu autorização médica para passar por uma cirurgia. A família, no entanto, ainda aguarda a definição da data do procedimento.
“Graças a Deus, ele recebeu liberação para fazer a cirurgia. A gente passou por alguns dias difíceis. Ele ainda está sentindo muita dor. Ele estava com uma febre que não passava e, além disso, as plaquetas estavam baixas. Ele tomou, inclusive, duas bolsas de sangue”, contou Samile.
Segundo a mulher, o quadro apresentou melhora entre esta terça-feira (1º) e quarta-feira, com o fim da febre, o que permitiu a liberação do cirurgião.
“Nesse momento, de ontem para hoje, a febre finalmente foi embora. O cirurgião já fez a liberação para a cirurgia, mas a gente ainda está aguardando a agenda do hospital para que essa cirurgia seja agendada”, explicou.
Samile afirmou ainda que Cirilo era a principal fonte de renda da família e que o período de internação trouxe dificuldades financeiras para o casal.
“Eu sou microempreendedora, trabalho com marketing e também tenho um clube de hobbies para mulheres. Estou dividindo meu tempo entre trabalhar e estar com ele no hospital nos períodos em que não estou trabalhando”, relatou.
Segundo ela, a renda da casa era mantida majoritariamente pelo marido. “O financeiro era mantido majoritariamente por Cirilo. Ele era a nossa principal fonte de renda em nossa casa e, nesse momento, a gente realmente se encontra meio sem saber o que fazer. Neste mês, principalmente, porque as faturas de cartão já estão chegando e a gente ainda não sabe como vai fazer para arcar com essas despesas”, afirmou.
A esposa informou que nenhum sindicato ou entidade representativa dos trabalhadores entrou em contato com a família para oferecer assistência. “A gente não recebeu contato de nenhum sindicato”, disse.
A família, contudo, conta com o acompanhamento de um advogado, que teve acesso ao inquérito e acompanha o caso.
Para mobilizar apoio à família e cobrar justiça pelo caso, amigos e familiares organizam uma corrida e caminhada solidária no dia 13 de setembro, um domingo, a partir das 6h30, na Praça Nossa Senhora da Luz, na Pituba.
A proposta é realizar um percurso de cinco quilômetros, com saída da praça, percurso de 2,5 quilômetros e retorno ao ponto inicial.
Segundo Samile, as inscrições serão feitas por meio de formulário, que também disponibiliza uma chave Pix para quem quiser contribuir financeiramente com a família.
“O valor sugerido para a corrida é de R$ 30, mas é opcional. Se a pessoa não puder pagar, mas puder ir, é bem-vinda”, explicou.
A prisão preventiva do policial militar foi cumprida no bairro de Valéria, em uma ação integrada entre as polícias Civil e Militar da Bahia.
De acordo com a Polícia Civil, registros em vídeo feitos pela própria vítima, depoimentos de testemunhas e outros elementos reunidos durante as investigações contribuíram para a identificação do investigado.
A Delegacia Territorial de Pau da Lima, vinculada ao Departamento de Polícia Metropolitana (DEPOM), representou pela prisão preventiva, que foi deferida pela 3ª Vara das Garantias de Salvador após manifestação favorável do Ministério Público.
A Polícia Militar da Bahia informou que instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar os fatos. Após o cumprimento do mandado de prisão preventiva, o militar será encaminhado ao Centro de Custódia Provisória e Acompanhamento (CCPA), no Batalhão de Polícia de Choque, onde permanecerá custodiado à disposição da Justiça.
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