☰
✕

Política

Lula ou Bolsonaro: Qual governo tem mais integrantes investigados ou condenados pela Justiça?

Casos envolvem suspeitas de corrupção, assédio sexual e desvios de recursos públicos  |  Isac Nóbrega/PR e Ricardo Stuckert/PR

Publicado em 21/10/2026, às 06h49 - Atualizado às 07h00   Isac Nóbrega/PR e Ricardo Stuckert/PR   Redação Bnews

Dezoito integrantes do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) cumprem pena, respondem a processos judiciais ou são alvo de investigações policiais, enquanto seis pessoas ligadas ao terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparecem em casos sob apuração na Justiça. Os dados foram reunidos em levantamento publicado pela Folha de São Paulo nesta quarta-feira (21).

No grupo ligado à gestão Bolsonaro, que governou o país entre 2019 e 2022, estão ex-ministros, militares de alta patente e antigos dirigentes de órgãos públicos. Entre os casos estão as condenações relacionadas à tentativa de golpe de Estado, além de investigações sobre supostas irregularidades ambientais, assédio sexual, homofobia e desvios de recursos.

Siga o BNews no Google e receba as principais notícias no seu celular

Já os seis casos relacionados ao governo Lula envolvem ex-ministros, antigos auxiliares da Presidência, dirigentes de órgãos públicos e o presidente de uma estatal. As apurações incluem suspeitas de importunação sexual, corrupção e irregularidades na compra de respiradores durante a pandemia de Covid-19.

Condenações por tentativa de golpe

O ex-presidente Jair Bolsonaro está entre os condenados pela tentativa de golpe de Estado. Ele cumpre pena em prisão domiciliar, assim como o ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) Augusto Heleno.

Outros integrantes da gestão também foram condenados e estão presos. É o caso dos ex-ministros Walter Braga Netto, da Defesa e da Casa Civil, e Paulo Sérgio de Oliveira, além do ex-ministro da Justiça Anderson Torres e do ex-comandante da Marinha Almir Garnier.

Também receberam condenações o ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques, o ex-presidente da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Alexandre Ramagem e o ex-ajudante de ordens Mauro Cid. Ramagem está foragido nos Estados Unidos, enquanto Cid cumpre pena em regime aberto após ter parte da condenação reduzida.

As defesas e os próprios condenados negam participação em uma trama golpista ou contestam as acusações. No caso de Torres, o advogado Eumar Novacki afirmou que espera uma revisão da condenação pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

"Nossa expectativa é que o STF examine a matéria à luz do conjunto probatório dos autos, enfrentando os elementos que demonstram a necessidade de se rever a condenação", disse à Folha.

Investigações envolvem Banco Master e suspeitas de corrupção

Outros ex-integrantes do governo Bolsonaro são investigados por fatos sem relação direta com a tentativa de golpe. O ex-ministro da Casa Civil Ciro Nogueira, por exemplo, é alvo de apuração da Polícia Federal (PF) sobre o suposto recebimento de pagamentos de R$ 500 mil mensais do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo proprietário do Banco Master. Ele nega irregularidades e afirma que a operação policial teve o objetivo de manchar sua honra.

O ex-ministro das Comunicações Fábio Faria também é investigado em razão de sua proximidade e atuação com Vorcaro. Conversas extraídas do celular do ex-banqueiro mencionam Faria, que nega irregularidades.

Na área ambiental, o ex-ministro Ricardo Salles e o ex-presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) Eduardo Fortunato Bim respondem a uma ação penal relacionada à suspeita de contrabando de madeira amazônica.

Segundo a investigação da PF, a flexibilização de regras para exportação de madeira teria possibilitado o envio irregular de cerca de 3 mil cargas ao exterior. O caso também envolve suspeitas de organização criminosa, corrupção passiva, facilitação de contrabando e advocacia administrativa.

Em manifestação ao STF, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a absolvição de sete dos 21 réus, incluindo Salles, por falta de provas. Para os demais acusados, apontou a existência de indícios de crimes.

Salles afirmou à Folha que o pedido de absolvição demonstra que não cometeu irregularidades. Ele também contestou a manifestação do Ministério Público Federal e defendeu a interpretação adotada por Bim sobre as normas de exportação de madeira.

Casos da pandemia e outros processos

O ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello é réu em uma ação de improbidade administrativa relacionada à condução da pandemia de Covid-19. O Ministério Público Federal (MPF) sustenta que houve prejuízo de R$ 122 milhões aos cofres públicos, sob a alegação de que o governo deixou de comprar vacinas em 2020 e optou por medicamentos sem eficácia comprovada contra a doença.

A defesa afirmou que não pretende produzir novas provas e considera a ação improcedente. Em declaração à Folha, Pazuello disse que a Advocacia-Geral da União (AGU) é responsável por sua defesa no processo.

Outro caso envolve o ex-ministro do Trabalho e Previdência José Carlos Oliveira, indiciado pela PF por suspeita de participação no esquema de descontos indevidos em aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Ele nega envolvimento nas fraudes.

O ex-ministro da Educação Milton Ribeiro também responde a processo por homofobia. Sua defesa recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), e ele pediu desculpas por declarações que motivaram a acusação, mas nega ter cometido crime.

O ex-presidente da Caixa Econômica Federal Pedro Guimarães, por sua vez, é réu em processo por assédio sexual contra mulheres. O caso está na fase de depoimentos de testemunhas, e a defesa não se manifestou por considerar o processo sigiloso.

Seis casos ligados ao governo Lula

No terceiro governo Lula, um dos casos de maior repercussão envolve o ex-ministro dos Direitos Humanos Silvio Almeida, denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por suspeita de importunação sexual contra a então ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco. O caso ainda não teve decisão sobre o recebimento da denúncia pelo STF.

Almeida nega ter cometido crime e afirma que foi alvo de uma intriga política. Ele deixou o cargo após as acusações.

O ex-ministro das Comunicações Juscelino Filho também foi denunciado pela PGR, em 2025, por suspeita de corrupção e desvio de emendas parlamentares em fatos anteriores à sua passagem pelo ministério. Ele afirma ser inocente e ressalta que uma denúncia não representa condenação.

Outro caso é o do senador Rui Costa (PT), ex-ministro da Casa Civil e ex-governador da Bahia. Ele é investigado pela compra de respiradores durante a pandemia, quando liderava o Consórcio Nordeste. O grupo pagou antecipadamente R$ 48,7 milhões pelos equipamentos, que não foram entregues.

A defesa de Rui Costa sustenta que a aquisição ocorreu em um contexto de emergência sanitária e afirma que busca acelerar a investigação para demonstrar sua inocência.

Também está sob apuração Marco Aurélio Santana, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete da Presidência. A Polícia Federal pretende ouvi-lo em um dos inquéritos que investigam suspeitas de tráfico de influência. Ele recebeu transferências e teve despesas pessoais pagas por um lobista que buscava acesso a órgãos públicos. Santana afirma que os valores eram referentes a um empréstimo pessoal já quitado.

O ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto foi indiciado pela PF por suspeita de participação no esquema de descontos indevidos em aposentadorias. Ele está preso preventivamente e nega vínculos com os recursos investigados. Segundo sua defesa, a PGR propôs sua soltura.

O sexto caso envolve Fernando Pimentel, presidente da Empresa Gestora de Ativos (Emgea). Uma ação penal sob sigilo investiga suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro relacionadas a uma operação policial de 2015. Pimentel nega as acusações.

Classificação Indicativa: Livre


Tagseleições 2026flávio bolsonaroLula

Leia também


Lula condiciona debate na Globo à quebra de sigilo de Flávio: 'Não posso debater com ladrão'


ACM Neto rebate Rui Costa: "Não tenho problema algum que as minhas contas sejam abertas"