Cidades
por Bernardo Rego
Publicado em 24/11/2025, às 10h00
A Bahia é conhecida por ser um estado de muitas riquezas culturais, artísticas e gastronômicas. Local onde se come uma boa moqueca de camarão, peixe, lambreta, mas onde é possível comer uma iguaria de origem africana que agrada ao paladar de pessoas do mundo todo que chegam à Bahia para passear.
Pensando nesse aspecto e comemorando o dia da Baiana de Acarajé, no dia 25 de novembro, o Bnews decidiu falar sobre esse bolinho pequeno feito à base de cebola e dendê, ressaltando o seu sabor peculiar e pontuando a tradição que muitas famílias preservam através de várias gerações.
A baiana de acarajé Carolina Brito, que atua também em Lisboa, capital de Portugal, contou em entrevista ao Bnews que a tradição vem da família e que o acarajé não é uma simples comida, mas uma memória sagrada.
"Na minha família, temos algumas baianas de Acarajé. Seguindo este legado já estamos na quarta geração de baianas. Desde muito cedo, ainda pequena, minha avó nos fez entender que o acarajé não era só uma comida: é memória e sagrada. Na minha vida, caminhada, ter um tabuleiro de Acarajé é uma missão ancestral, é dar continuidade à um legado de luta e resistência", pontuou.
"A confecção deste bolinho ancestral é feita toda de maneira artesanal. Sigo com muito respeito e responsabilidade tudo o que minha avó me ensinou", acrescentou a filha de Oyá.
A também baiana de acarajé e receptivo, Angelimar Trindade, da Associação das Baianas de Acarajé (ABAM), que trabalhou por muito anos na área administrativa, contou com muita alegria ser esse um ofício de muita responsabilidade e pontou que as baianas são símbolos de resistência e empreendedorismo.
"Trabalhar com acarajé é muita responsabilidade porque nós baianas preservamos, somos guardiãs, somos mulheres, símbolo de resistência, de empreendedorismo e somos guardiãs da tradição e da cultura afro-brasileira. Nós, baianas de acarajé, preservamos receitas e técnicas ancestrais. [...] Eu sempre digo que a pessoa quando chega ao tabuleiro e pede um acarajé ela vem em busca do sabor da ancestralidade", lembrou.
"Eu trabalho com acarajé há 17 anos e já faço há mais de 35, e cada dia que passa eu fico mais apaixonada de ver aquela transformação do feijão. Pegar o feijão e lavar, botar para inchar, passar e misturar com a cebola que serve de fermento, faz com que a massa cresça, também saboriza a massa, colocar o sal. O uso do ouro, que é o dendê, é o que dá cor e dá sabor a esse alimento que é sagrado, um alimento muito importante do candomblé", contou Angelimar ao ressaltar que o acarajé um alimento oferecido a Iansã e a Xangô
"Eu aprendi a fazer acarajé com a minha avó que era do Axé e eu costumava convidar amigos para virem aqui na minha casa. Fazia, eles provavam, gostavam. Eu não sou de uma família tradicional de baianas. Eu trabalhei 32 anos e meio na área administrativa, mas eu vi a oportunidade de empreender e de unir o útil ao agradável, fazer alguma coisa para que eu não me tornasse uma pessoa ociosa depois da aposentadoria e alguma coisa que me desse ganho. E nisso vou fazer agora em maio 18 anos que trabalho com acarajé. E eu sou assim, apaixonada pelo ofício", destacou Angelimar.
Ela explicou ainda que o acarajé, vindo no século XVIII para Salvador, é um símbolo da cultura e em 2005 foi reconhecido como patrimônio cultural imaterial. A palavra acarajé se origina da língua africana iorubá: akará = bola de fogo e jé = comer, sendo assim, “comer bola de fogo”.
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Bernardo Rego
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