Justiça

Ministério Público contesta polícia e aponta omissão de socorro em caso de jovem perdido no Pico Paraná

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Promotoria afirma que companheira de trilha abandonou amigo debilitado à própria sorte e propõe pagamento de indenização à vítima e ao Corpo de Bombeiros  |   Bnews - Divulgação Reprodução/Instagram/SBT

Publicado em 15/01/2026, às 19h13   Cibele Gentil



O Ministério Público do Paraná apresentou uma manifestação que altera o curso do caso sobre o desaparecimento de Roberto Farias Tomaz, de 19 anos, ocorrido nos primeiros dias de janeiro. A 2ª Promotoria de Justiça de Campina Grande do Sul identificou indícios do crime de omissão de socorro praticado por Thayane Smith, jovem que acompanhava Roberto na trilha. O entendimento do órgão contraria a conclusão da Polícia Civil, que havia arquivado o inquérito por não identificar infração penal no episódio em que o rapaz passou cinco dias perdido em uma área de mata fechada.

Roberto desapareceu no dia 1º de janeiro durante o trajeto de retorno da montanha. Após caminhar cerca de 20 quilômetros por terreno acidentado e seguir o leito de um rio, o jovem conseguiu chegar a uma fazenda em Antonina no dia 5 de janeiro, onde pediu ajuda para avisar aos familiares que estava vivo. Na análise do Ministério Público, ficou demonstrado que Thayane tinha consciência da situação de vulnerabilidade do amigo, uma vez que ele já apresentava mal-estar físico e dificuldades de locomoção durante a subida, agravadas por condições severas do ambiente como frio e chuva.

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Proposta de reparação e medidas socioeducativas

Diferente da autoridade policial, que sustentou que o jovem estava bem no momento da descida e se perdeu por um erro de rota, o Ministério Público alega que houve dolo na conduta da acompanhante. Segundo a promotoria, a investigada ignorou alertas de outros montanhistas e optou por priorizar seu bem-estar em detrimento do auxílio ao companheiro de trilha.

Diante disso, o órgão propôs uma transação penal que inclui o pagamento de três salários mínimos a Roberto como reparação por danos morais. O pedido também contempla o repasse de 8.105 reais ao Corpo de Bombeiros de Campina Grande do Sul pelos custos da operação de resgate.

A proposta prevê ainda que a jovem realize serviços comunitários junto ao Corpo de Bombeiros por um período de três meses. Atualmente, os advogados de Thayane afirmam que ainda não tiveram acesso formal aos autos e que devem se manifestar assim que tomarem conhecimento oficial do teor do documento.

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