Economia & Mercado

Azul encerra quarto trimestre de 2024 com prejuízo bilionário; saiba detalhes

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Para especialista, prejuízo da Azul não é apenas contábil como defende companhia  |   Bnews - Divulgação Divulgação / Reprodução/Instagram/@azulinhasaereas e @voegoloficial
Verônica Macedo

por Verônica Macedo

veronica.macedo@bnews.com.br

Publicado em 24/02/2025, às 11h57 - Atualizado às 12h01



O céu segue nublado para a Azul Linhas Aéreas. Depois que a companhia anunciou ao mercado a provável fusão com a Gol, ventos e tempestades surgiram como empecilho à decolagem. Existe a possibilidade de o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) não aprovar a operação, por afetar a concorrência do mercado aéreo brasileiro – Azul e Gol concentram 62% do fluxo de passageiros, competindo apenas com a Latam, que domina os 38% restantes praticamente sozinha.

Outro ponto é entender que o prejuízo da companhia não é só contábil, como defende em seus comunicados, como explicam especialistas. A companhia aérea Azul computou um prejuízo líquido de quase R$ 4 bilhões, mais especificamente, R$ 3,9 bilhões, no quarto trimestre de 2024, segundo noticiado nesta segunda-feira (24) pela empresa.

A Azul tentou tranquilizar os investidores afirmando que as perdas são puramente contábeis. De acordo com a empresa, no ano passado, o câmbio desvalorizou 30%, por exemplo, e a dívida seria dolarizada, mas com ativos na moeda brasileira.

“Com a alta do dólar a dívida cresce, mas a aeronave em si fica no mesmo valor. Por isso, o melhor é ver a operação em si. A operação da Azul gera caixa, está indo super bem e temos um dos números mais altos de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) do mundo. Por isso, sigo confiante com a empresa, visto que a dívida é dolarizada, mas eu não posso ajustar meus ativos pela regra contábil”, esclareceu a empresa, como lembra Flávio Málaga, professor de finanças e PhD em administração, sócio fundador da MÁLAGA Assessoria em Finanças Corporativas e Contabilidade Societária.

Para ele, a afirmação de não está correta. “O balanço patrimonial deve refletir o valor justo dos ativos e passivos. A correção da dívida pela variação do dólar (ou da moeda do empréstimo ou arrendamento) simplesmente captura seu fair value na data de levantamento (e os diferentes indexadores dos ativos e passivos)”, diz.

“A situação da Azul antes da reestruturação e conversão em equity de R$ 11 bilhões em dívida era insustentável, do contrário os credores não aceitariam as conversões. O patrimônio líquido estava em R$ -26 bilhões (destruição de valor), a dívida alcançava R$ 30 bilhões e comprometia 8 anos de geração de caixa operacional, em um ambiente com taxas de juros e dólar em elevação e dívidas vincendas no curto prazo”, explica Málaga, que também atua em avaliação e emissão de opiniões técnicas em casos de disputas societárias financeiras em âmbito jurídico ou arbitral, fusões e aquisições e rodadas de financiamento que envolvam cálculos de danos econômico-financeiros.

O professor também rebate a afirmação de que os ativos da Azul deveriam ser corrigidos pela variação cambial, da mesma forma que a dívida. “A Azul possui poucas aeronaves próprias. Seu ativo reflete, sim, os direitos de uso sobre aeronaves de terceiros. Como sua moeda funcional é o Real e suas receitas também são geradas nesta moeda, seu ativo captura esta dinâmica. A desvalorização do Real frente ao Dólar, enquanto aumenta o passivo da empresa, não gera aumento de receitas. Além disso, a Azul não precisaria se preocupar com a correção dos ativos pela variação cambial: se fosse real a indexação, as receitas aumentariam com a desvalorização de nossa moeda, de forma desproporcional aos custos e as despesas, aumentando o lucro, o patrimônio líquido e o caixa. Haveria uma correção automática dos ativos. Não é o que se observa. Ou seja, as demonstrações financeiras estão capturando adequadamente a dinâmica da operação da Azul”, ensina.

“Se o objetivo das decisões corporativas é gerar valor e lucro, ambas as empresas Azul Linhas Aéreas Brasileiras e GOL Linhas Aéreas foram na direção contrária nos últimos 10 anos, gerando prejuízos sucessivos e destruição de patrimônio. A reestruturação e a fusão podem ser os instrumentos adequados para tentar reverter este quadro”, alerta Málaga.

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