Economia & Mercado
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual na sua última reunião mensal, realizada em agosto. Com o quarto corte consecutivo do ciclo iniciado em março, a taxa de juros saiu desta vez de 14,25% para 14%. Mesmo com a redução, a taxa básica de juros segue em patamar restritivo, mantendo o financiamento imobiliário caro para boa parte das famílias brasileiras, mas com o cenário de compra de imóveis de luxo em praças como Salvador se mantendo resiliente.
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De acordo com o BC, o ambiente internacional mais estável e a melhora gradual da inflação corrente permitiram a continuidade do afrouxamento monetário, ainda que em ritmo cauteloso. E a ata da reunião mostrou que a autoridade monetária não pretende acelerar os cortes, devendo priorizar a convergência da inflação à meta de 3%.
O IPCA acumulado em 12 meses fechou julho em 4,44%, dentro da margem de tolerância do Banco Central, mas ainda acima do centro da meta. O Boletim Focus, pesquisa semanal do BC junto a instituições financeiras, passou a projetar a Selic em 13,75% no final de 2026, a primeira revisão para baixo desde março.
A expectativa é de mais um corte de 0,25 ponto percentual até dezembro, durante as reuniões de setembro, outubro, novembro e dezembro. A próxima decisão do Copom está marcada para a segunda quinzena de setembro.
Investimento em imóveis
Com taxas de crédito habitacional girando em torno de 14% a 16% ao ano, comprar um imóvel financiado ainda é quase impossível para boa parte da renda média do país, fazendo com que o mercado de aluguel em várias capitais infle.
Por outro lado, o segmento de alto padrão tem se mostrado mais resiliente à Selic elevada. Números do setor apontam que a compra de imóveis de luxo depende menos de financiamento bancário tradicional e mais de capital próprio, herança ou investimento. E, neste cenário, mercados de alto padrão, como Leblon (RJ), Itaim Bibi (SP), além da Barra, em Salvador, podem manter uma demanda mais resiliente mesmo em um ambiente de juros elevados, já que uma parcela relevante desse público não depende diretamente do crédito bancário para comprar.
Para especialistas do mercado imobiliário, a expectativa de queda gradual da Selic ao longo dos próximos meses pode animar compradores de médio e alto padrão que esperam por melhores condições de financiamento para voltar a negociar.
Para Luccas Isnard, CEO da Vizu Imobiliária - Boutique, a queda dos juros já começa a influenciar o comportamento desse comprador.
A queda da Selic começa a mudar o comportamento de quem estava aguardando um momento mais favorável para voltar ao mercado. No alto padrão, esse movimento não está necessariamente ligado à necessidade de financiamento, mas principalmente à percepção de oportunidade. O comprador passa a acompanhar os preços, comparar imóveis e entender que, com uma trajetória de juros descendente, pode haver menos espaço para negociação no futuro, disse.”
Ainda segundo ele, esse movimento também pode favorecer quem já possui capital disponível.
O mercado de alto padrão tem uma dinâmica um pouco diferente porque existe uma parcela significativa de compradores que utiliza capital próprio. Por isso, mesmo em um cenário de juros elevados, esse público continua ativo. A redução da Selic, porém, pode ampliar esse movimento, porque melhora o ambiente econômico como um todo e também faz com que investidores voltem a considerar o imóvel como uma alternativa interessante dentro da composição do patrimônio.” afirmou.
Quem depende de financiamento tende a se beneficiar de parcelas menores, uma vez que à medida que a Selic recua, o ambiente pode levar a uma redução gradual do custo do crédito, ainda que o impacto sobre as condições bancárias não seja imediato e nem proporcional a cada corte.
Não acredito que o comprador deva simplesmente esperar a Selic chegar a um determinado patamar para tomar uma decisão. No mercado de alto padrão, cada imóvel tem características muito específicas e a oferta de boas oportunidades é limitada. Se o imóvel atende ao que o comprador procura e existe uma condição interessante de negociação, esperar alguns meses por uma queda maior dos juros pode significar encontrar um cenário diferente de preço e disponibilidade. Por isso, mais importante do que tentar acertar o melhor momento do mercado é identificar boas oportunidades”.
O mercado imobiliário brasileiro se mostra em compasso de transição nos próximos meses, com 2026 apontando um cenário dividido entre juros altos hoje, mas em trajetória de queda, e crédito ainda nas alturas, mas com sinalização de alívio gradual até o fim do ano.
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