Geral
por Leonardo Oliveira
Publicado em 08/12/2025, às 06h00
Quando o verão chega, é preciso ter ainda mais atenção com os cabelos. Em entrevista ao BNews Summer, a tricologista Giselly Clemente, da Clínica do Cabelo, em Salvador, alerta para os danos provocados pelo sol, sal e cloro e ensina uma rotina para deixar os seus fios salvos.
Sol, sal e cloro: a combinação que detona os fios
No verão, os cabelos enfrentam uma verdadeira maratona de agressões. A tricologista Giselly explica que “os principais agentes de dano no verão são o sol (radiação UV), o sal da água do mar e o cloro da piscina”, que juntos aceleram o ressecamento, a quebra e o frizz dos fios.
Segundo ela, a radiação UVA e UVB decompõe ligações da queratina, proteína que dá estrutura ao cabelo, levando à perda de elasticidade, pontas duplas e até desbotamento da cor, tanto em fios naturais quanto tingidos.
O cloro, por sua vez, remove o sebo natural e a umidade, deixando o cabelo mais poroso e áspero, com risco de ganhar aquele indesejado tom esverdeado em fios claros ou descoloridos por reação com minerais como o cobre presentes na água.
Já o sal do mar retira a umidade de dentro do fio e cristaliza na superfície sob o sol, o que torna a cutícula áspera e provoca “ressecamento extremo, frizz e rigidez”, detalha a especialista.
Produtos certos para cada tipo de cabelo
Para atravessar o verão sem sacrificar a saúde capilar, Giselly orienta uma escolha estratégica de produtos conforme o tipo de cabelo. Nos fios finos e oleosos, a indicação é apostar em shampoos e condicionadores leves e leave-ins (finalizador de cabelo sem enxágue) em spray ou gel, sem óleos pesados, para “manter leveza e volume, protegendo sem pesar ou aumentar a oleosidade”.
Em cabelos secos ou grossos, a prioridade é repor lipídios e umidade com óleos vegetais de umectação, como jaborandi e abacate, máscaras de hidratação profunda e leave-in cremoso com alta proteção para controlar frizz e porosidade.
Cacheados e crespos, naturalmente mais secos, pedem cremes de pentear com manteigas, óleos vegetais, cowash e ativadores de cachos hidratantes, com foco em definição e retenção de umidade.
Já os fios coloridos ou quimicamente tratados, exigem linhas específicas para cor/química, máscaras de reconstrução à base de proteínas e leave-ins com forte filtro UV para minimizar o desbotamento, repor massa perdida e selar cutículas fragilizadas.
Barreira de proteção é indispensável antes da praia ou piscina
Na rotina de verão proposta pela tricologista, “a etapa de pré-exposição é a mais importante para prevenção dos danos”, explica. Ela considera essencial o uso de leave-in com filtro solar (FPS/UV) ou óleo capilar de proteção antes de ir à praia ou piscina, justamente porque esses produtos criam uma barreira física que impede que sal, cloro e raios UV penetrem diretamente na fibra capilar, reduzindo a perda de água e proteína.
Para uma ajuda extra, Giselly recomenda óleos vegetais como abacate, semente de uva, jaborandi, pracaxi e oliva, que ajudam a limitar a penetração excessiva de água salgada ou clorada nos fios.
A especialista orienta ainda que a proteção seja reaplicada a cada duas ou três horas de exposição ou sempre que a pessoa sentir que o produto saiu após o mergulho, em uma lógica semelhante ao uso correto do protetor solar na pele.
“Chapéu, boné ou lenço não são apenas itens de estilo, mas a forma mais eficaz de blindar o fio contra a radiação UV e proteger o couro cabeludo de queimaduras que podem comprometer a saúde dos folículos”, reforça a especialista.
Pós-sol: como lavar e hidratar sem piorar o dano
Depois do banho de mar ou piscina, lavar o cabelo vira passo obrigatório. “É essencial lavar o cabelo diariamente após a exposição para remover resíduos de sal, cloro e protetor, evitando que continuem a oxidar e ressecar o fio ao longo do dia”, explica Giselly.
A tricologista sugere shampoos suaves, com pH neutro, que limpam sem arrancar em excesso a oleosidade natural, e pede cuidado com shampoos muito alcalinos, como antirresíduos, que podem agravar o ressecamento no verão.
Na etapa de tratamento, a tricologista recomenda trocar o uso rotineiro de condicionador por máscaras ricas em umectantes e emolientes, com ingredientes como D-pantenol, aloe vera, glicerina, manteiga de karité e óleos vegetais, especialmente em cabelos muito expostos.
Em muitos casos, ela defende que “em todas as lavagens de verão vale incluir algum tipo de tratamento, como hidratação para repor água, nutrição à base de óleos como oliva, argan, rícino e abacate e reconstrução com proteínas, que ajusta a frequência ao grau de ressecamento percebido”, explica Giselly.
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Química, calor e hábitos que sabotam os fios
Os cabelos coloridos e quimicamente tratados ocupam lugar de atenção máxima. De acordo com a especialista, por terem a estrutura já fragilizada, esses fios são os mais vulneráveis aos danos do verão e, por isso, devem usar linhas específicas de pH mais baixo com antioxidantes, reforçar a proteção UV para frear o desbotamento e intensificar a reconstrução proteica no cronograma capilar.
Para quem faz alisamentos ou relaxamentos, Giselly ainda indica o uso semanal de shampoo quelante para remover metais pesados e cloro que se acumulam inclusive na água do chuveiro e podem comprometer o resultado das químicas.
No dia a dia, a orientação é reduzir ao máximo banhos quentes, secador e chapinha. “A água quente abre demais a cutícula, promove perda de hidratação e acelera o desbotamento da cor”, aponta a tricologista, recomendando água fria ou morna.
Ela sinaliza que o calor excessivo das ferramentas térmicas remove a pouca umidade que o cabelo ainda consegue reter no verão e reforça que, se o uso for inevitável, o protetor térmico se torna obrigatório para formar uma barreira que distribui o calor de forma mais uniforme e evita que o dano atinja o núcleo do fio.
Erros comuns
Um dos alertas mais enfáticos de Giselly é sobre o hábito de dormir com o cabelo molhado, que “agrava os danos” porque o fio úmido fica mais elástico e frágil, aumentando o risco de quebra.
Além disso, a umidade prolongada no travesseiro cria um ambiente favorável à proliferação de fungos no couro cabeludo, o que favorece quadros como caspa, irritação e infecções como piedra branca, motivo pelo qual a especialista insiste que é fundamental secar bem antes de se deitar.
Na hora de pentear, a recomendação é adaptar a técnica ao tipo de fio. “Lisos devem ser desembaraçados com pente de dentes largos, das pontas para a raiz, enquanto cacheados e crespos se beneficiam de serem penteados apenas quando estão bem encharcados, de preferência com condicionador ou máscara, usando os dedos ou pente de dentes extralargos para não desmanchar a forma dos cachos nem induzir quebra por atrito”, explica a especialista.
Entre os erros mais comuns, a tricologista cita o de pular a proteção UV capilar, deixar o cabelo secar ao sol com sal e cloro ainda nos fios e focar só em hidratação, esquecendo a reposição de proteína.
O ideal é seguir uma rotina acessível que inclua pré-exposição com leave-in com FPS, enxágue imediato com água doce, limpeza diária com shampoo neutro e máscara, tratamentos duas a três vezes por semana e finalização preferindo a secagem natural.
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