Geral
por Antonio Dilson Neto
Publicado em 06/06/2026, às 15h09
Nos rios do México e do sul do Texas, habita uma espécie que desafia as leis da biologia: a molinésia-amazona. O cardume é composto única e exclusivamente por fêmeas que se reproduzem há cerca de 100 mil anos sem nunca terem gerado um único espécime macho.
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Para perpetuar a espécie, o peixe utiliza um processo chamado ginogênese. A fêmea chega a acasalar com machos de espécies parecidas, mas o organismo dela descarta totalmente o DNA do pai, utilizando o esperma apenas como um gatilho físico para iniciar o desenvolvimento das ovas.
O resultado é uma ninhada de clones perfeitos da mãe.
Pela teoria da evolução clássica, espécies assexuadas deveriam entrar em extinção rapidamente devido à Catraca de Müller — o acúmulo inevitável de mutações prejudiciais a cada cópia de DNA, que destrói o genoma ao longo das gerações.
Contudo, um estudo liderado pelo biólogo Edward Ricemeyer, da Universidade de Munique, desvendou o mistério. Mapeando o genoma do peixe, os cientistas descobriram que a espécie utiliza de forma agressiva um mecanismo chamado conversão genética.
O sistema funciona como um comando de "copia e cola": quando uma mutação perigosa aparece, a célula utiliza a cópia saudável do gene para sobrescrever e apagar o erro. Essa blindagem garante uma saúde genética impecável à espécie mesmo após milênios de clonagem.
Como o câncer e diversas síndromes humanas são causados justamente por mutações genéticas, os cientistas acreditam que entender como esse pequeno peixe combate os erros do DNA pode abrir caminhos valiosos para a medicina oncológica no futuro.
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