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Entenda como o ‘comportamento submisso’ arruína os relacionamentos

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As pessoas possuem esse comportamento em busca de aceitação e validação; entenda  |   Bnews - Divulgação Reprodução / Freepik
Leonardo Oliveira

por Leonardo Oliveira

Publicado em 12/08/2025, às 11h14 - Atualizado às 12h06



Nas mais diversas esferas sociais existe uma sensação persistente de que talvez exista algum problema com você, que alguém te odeia, e aí bate aquele medo e insegurança. Isso pode acontecer quando um chefe do trabalho quer conversar contigo ou quando uma mensagem de um amigo termina com um ponto final ao invés de exclamação. 

Segundo Meg Josephson, psicoterapeuta em São Francisco, nos Estados Unidos, algumas pessoas são vítimas do que se denomina “fawning”, ou seja, vivem submissos com o intuito de agradar.

Como funciona?

A especialista acredita que “fawning” é uma quarta resposta do sistema nervoso ao estresse, além da luta, fuga ou paralisação. O termo foi cunhado por Pete Walker, psicólogo em Berkeley, Califórnia, que escreveu sobre transtorno de estresse pós-traumático complexo. 

O “fawning” é como uma resposta protetora desenvolvida na infância como reação a traumas, uma forma extrema de querer agradar as pessoas, segundo o psicólogo.

No entanto, Nora Brier, professora assistente de psiquiatria clínica na Escola de Medicina Perelman, da Universidade da Pensilvânia, alerta que as pesquisas ainda estão em andamento e que não há evidências suficientes para considerá-lo uma resposta do sistema nervoso, como luta, fuga ou paralisação.

As pessoas que recorrem ao “fawning” buscam rapidamente ser úteis e agradáveis para alguém que representa uma ameaça, de acordo com Josephson, que atua como terapeuta há cinco anos e tem 337 mil seguidores no Instagram. Ela cresceu em um lar caótico, onde estava constantemente acalmando e acomodando seu pai instável.

De acordo com a psicoterapeuta, o “fawning”, às vezes é necessário para nos manter seguros, mas para aqueles presos nessa resposta, o impulso de vigiar ameaças e monitorar emocionalmente os outros está em sobrecarga, transbordando para situações em que estamos de fato seguros, porém o corpo acredita que não.

Lições para frear o impulso

Em seu novo livro "Are You Mad at Me? How to Stop Focusing on What Others Think and Start Living for You" (“Você está com raiva de mim? Como parar de focar no que os outros pensam e começar a viver para você”), Josephson traz três lições importantes. São elas:

1. Não comece achando que fez algo errado

É possível desafiar a percepção de que alguém está com raiva de você se fazendo estas perguntas: 

  • Esta história que estou contando a mim mesmo é absolutamente verdadeira? 
  • O comportamento dessa pessoa é incomum ou apenas consistente com a forma como ela se comunica? 
  • Pode haver outros motivos para o distanciamento percebido, como estresse no trabalho ou término de um relacionamento?

Por exemplo, quando um amigo não responde à sua mensagem, Josephson às vezes pensa: "Meu Deus, será que foi algo que eu disse?". 

Então ela se lembra das muitas vezes em que recebeu uma mensagem depois dizendo: “Desculpe, eu estava em uma reunião” ou “Desculpe, respondi para você na minha mente”.

Não é que as pessoas nunca ficarão com raiva de você. Mas é útil pausar e lembrar que sua mente ansiosa já mentiu para você no passado, afirma a psicoterapeuta.

2. Controle o "fawning" aos poucos

Segundo Josephson, quem tem o hábito de agradar fica intimidado em estabelecer limites e dizer não. Desta forma, é importante começar por situações de baixo risco. 

Perceba quando você usa frases para agradar que não são verdadeiras, como “sem problema” quando aquilo realmente é um problema, ou “está tudo bem para você?” quando não está.

Se, por exemplo, alguém se desculpa por ter magoado você, seu instinto pode ser aliviar a culpa da pessoa dizendo algo como: "Não, está tudo bem".

Em vez disso, você pode responder: "Obrigado, fico feliz que estamos falando sobre isso".

E, se alguém disser que não está com raiva de você, acredite na palavra dessa pessoa.

“Fique confortável com o desconforto de aceitar o que as pessoas dizem ao pé da letra, sem ficar imaginando o que elas poderiam estar sentindo secretamente”, indica Josephson.

Se alguém está sendo passivo-agressivo na comunicação e não traz algo diretamente para você, não há nada para você resolver. Você não deveria se esforçar para dominar a telepatia.

3. Busque ter uma comunicação honesta

Segundo Josephson, quando entramos no modo “fawning”, a parte medrosa de nós escolhe a harmonia desonesta em vez de uma conexão profunda e autêntica.

“A comunicação clara e honesta é a parte mais importante de qualquer relacionamento e elimina a necessidade de “ler nas entrelinhas”, destaca.

É importante ser mais direto com alguém em quem você confia. Dizer que está fazendo isso e pedir ajuda. Caso queira cancelar um compromisso, seja honesto em vez de inventar uma desculpa para evitar que a pessoa fique brava.

“Essa prática pode ser desconfortável no curto prazo, mas nos poupa muita energia no longo prazo”, afirma. “E fortalece os relacionamentos que realmente valorizamos”, complementa.

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A especialista recomenda que, da próxima vez que sentir vontade de agradar excessivamente, faça um teste de autenticidade: Eu realmente quero dizer o que estou prestes a falar? Estou dizendo algo que não é verdadeiro para tentar apaziguar a outra pessoa?

“Não está sob seu controle fazer outra pessoa feliz”, afirma Josephson. É possível controlar como você gasta seu tempo, sua energia e seu foco.

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