Polícia

Em mensagens, tenente-coronel acusado de matar a esposa expõe controle financeiro: “Investe em amor, mas nem isso você faz”

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Investigação aponta que o tenente-coronel se via como 'macho-alfa', exigindo obediência e submissão da esposa  |   Bnews - Divulgação Reprodução/TV Globo
Redação BNews

por Redação BNews

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Publicado em 19/03/2026, às 11h54 - Atualizado às 11h54



Uma das mensagens atribuídas ao tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, denunciado e preso nesta quarta-feira (18) pelo feminicídio da esposa, a policial militar Gisele Alves, em São Paulo, revelou novos indícios da relação de controle e abuso que, segundo o Ministério Público (MP-SP), marcava o casamento.

De acordo com a denúncia, em uma das mensagens, Geraldo demonstra ter controle financeiro na relação, apontando uma dinâmica marcada por cobranças, pressão emocional e exigência de submissão.

"Eu invisto todos os meses, 3 mil reais de aluguel, 2 mil reais de condomínio, 500 reais de água e luz, 500 reais de gás, fora as coisas que eu compro de mercado e todas as vezes que nós saímos eu pago sozinho (...) e você investe quanto? Não tem dinheiro, blz. Investe amor, carinho, atenção dedicação, sexo... mas nem isso você faz", escreveu.

Em resposta, Gisele reiterou seu desejo de separação.

"Se você acha que só contribuindo com dinheiro já está fazendo sua parte, ótimo, mas pra mim não é assim que funciona, nunca foi assim e não vai ser agora que vai mudar. Por mim separamos, não vou trocar sexo por moradia e ponto final", respondeu a soldado.

O conteúdo integra o conjunto de provas que embasaram a acusação por homicídio qualificado no contexto de violência doméstica e familiar.

A investigação indica ainda que o comportamento do acusado era possessivo e abusivo, com sinais de violência psicológica e, posteriormente, física. 

Outro trecho obtido pelo Ministério Público aponta que o tenente-coronel se considerava um "macho-alfa" e defendia que a mulher deveria ser "obediente e submissa" dentro do casamento. 

"Eu te trato como todo homem macho alfa trata sua esposa – com amor, carinho, atenção e autoridade de macho alfa provedor e fêmea beta obediente e submissa. Como toda mulher casada deve ser", escreveu em uma mensagem. 

Já em outro registro, Geraldo se descreve com uma série de adjetivos, como "rei", "provedor", "soberano".

Relembre o caso

O crime ocorreu em 18 de fevereiro, no apartamento do casal, no bairro do Brás, no centro de São Paulo. Segundo as investigações, o tenente-coronel e a esposa tiveram uma discussão motivada pelo desejo da vítima de se separar, até que ele teria efetuado um disparo de arma de fogo contra a cabeça da esposa.

Ainda de acordo com a polícia, Geraldo tentou simular um suicídio, manipulando a cena do crime. As investigações apontam que ele posicionou a arma na mão da vítima e alterou elementos do local para induzir erro na apuração dos fatos. 

Ele foi preso na tarde de quarta-feira (18) e recebido com abraços por colegas de farda ao chegar no Presídio Militar Romão Gomes, em São Paulo. No mesmo dia, se tornou réu na Justiça sob acusações de feminicídio.

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