Política

Escala 6x1: apoio de Lula cria embaraço com indústria e comércio

Bruno Peres / Agência Brasil
Setores devem debater possibilidade de redução na jornada de trabalho em reunião  |   Bnews - Divulgação Bruno Peres / Agência Brasil
Redação

por Redação

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Publicado em 04/05/2025, às 18h42



Os setores da indústria e do comércio têm reagido de forma firme contra mudanças na atual jornada de trabalho, indo na contramão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que se comprometeu a mobilizar o governo para buscar viabilizar o fim da escala 6x1 no Brasil. 

As entidades devem debater o assunto no âmbito do chamado Conselhão (Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável), composto por empresários, sindicalistas, pesquisadores, artistas e outros representantes da sociedade civil, segundo o portal Metrópoles.

Em abril, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) divulgou estudo que aponta que a redução da jornada de trabalho pode causar perda de até 18 milhões de empregos e impacto de até 16% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, com uma queda de até R$ 2,9 trilhões no faturamento dos setores produtivos.

A análise parte do princípio de que a diminuição das horas de trabalho impacta diretamente a produção e, consequentemente, o número de postos de trabalho disponíveis.

Em entrevista ao Metrópoles, o presidente da Fiemg, Flávio Roscoe, condicionou o benefício, porém, à melhora da produtividade. Roscoe frisou que o teto do horário de trabalho do Brasil (44 horas) é menor que o da Alemanha (48 horas) e que, com as horas efetivamente trabalhadas, a carga efetiva é menor que a média mundial. “Quando a gente limita toda a carga horária do Brasil, você evita as exceções. Tem setores que precisam de determinadas jornadas”, sustentou. “Então, na minha leitura a gente não deve engessar ainda mais a carga horária legal brasileira e deixar para livre negociação entre as partes”.

Por sua vez, a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) avaliou que este não é o momento para a redução da jornada de trabalho.

“Devemos debater meios de aprimorar a educação e a formação profissional, além de melhorar a infraestrutura e o acesso à tecnologia, entre outros fatores que contribuem para o aumento da produtividade e do ambiente empreendedor”, disse a entidade.

“É hora de o Brasil discutir a reforma da folha de pagamentos para incentivar a contratação e retenção de talentos. Pular essas etapas apenas contribuirá para reduzir a competitividade das empresas brasileiras e, consequentemente, afetará negativamente o mercado de trabalho e a economia nacional”, completou.

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