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Vereador é acusado de indicar esposa para empresa ligada à prefeitura de Salvador; aliado deixa gabinete

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À reportagem, o parlamentar disse que "não comentará acusações feitas por quem quer que seja"  |   Bnews - Divulgação Reprodução/Redes Sociais
Carolina Papa

por Carolina Papa

carolina.papa@bnews.com.br

Publicado em 10/11/2025, às 00h00 - Atualizado em 20/12/2025, às 11h32



Vereador de Salvador e uma das principais lideranças do Movimento Brasil Livre (MBL) na Bahia, Sandro Filho (PP) teria indicado a própria esposa, Mariana Silva Vasques, com quem se casou em maio deste ano, para uma empresa terceirizada que presta serviços à Prefeitura de Salvador.

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A acusação é feita pelo reverendo Roberto Monteiro, conhecido como “Roberto Pé na Porta”. O salário seria de cerca de R$ 20 mil. Além da acusação, Roberto Monteiro afirma também que o vereador negligencia a fiscalização do Hospital Público Veterinário Municipal.

“Vale a pena você e sua esposa receberem R$ 50 mil para, ao invés de fiscalizar, fechar os olhos? Que coisa feia. O povo elegeu você, Sandro Filho. O vereador recebe R$ 26 mil, a esposa recebe R$ 20 mil. Ele foi eleito dentro de Salvador para fiscalizar e cuidar das pessoas do município. [...] Ele é um vereador de vídeo. Você está pagando para ele postar um vídeo nas redes sociais todo mês”, criticou o reverendo em vídeo publicado no Instagram.

ROMPIMENTO

No mesmo cenário, o assessor do vereador, Andrei Castro, anunciou o rompimento com Sandro Filho. Bacharel em Direito, Andrei ocupava o cargo de chefe de gabinete e se manifestou sobre a decisão nas redes sociais. O ex-assessor também afirmou ter deixado o Movimento Brasil Livre (MBL) por divergências com o ex-chefe.

“Pedi minha exoneração do gabinete por discordâncias ideológicas com Sandro Filho e por diferenças na gestão de pessoal e na administração financeira do gabinete. Como chefe de gabinete, a partir do momento em que eu tenho essas discordâncias e não sigo mais o que ele determina [...] não há como eu permanecer no cargo. Ele é o vereador, as decisões são dele. Eu tentei mudar isso, dar minha visão sobre tudo, mas não foi possível resolver”, explicou Andrei.

“Sandro é uma grande liderança do MBL na Bahia, e, a partir do momento em que duas lideranças têm uma discordância desse nível, é impossível coexistir no mesmo movimento. [...] Nem todo mundo se sente satisfeito em permanecer em um lugar apenas por conta do salário. Não adiantava me pagar R$ 14 mil. O posicionamento seria o mesmo”, completou.

POSSÍVEL ACORDO?

Também nas redes sociais, o empresário Mauro Cardim afirma que Sandro Filho teria revelado a existência de débitos em sua campanha e que o presidente da Câmara de Salvador, Carlos Muniz (PSDB), “o ajudaria” durante o mandato. “Eu disse um dia que a máscara iria cair, e acho que ela está caindo agora”, declarou Cardim.

OUTRO LADO

Procurada pelo BNews, a assessoria de Sandro Filho informou que "não comentará acusações feitas por quem quer que seja. Os autores de manifestações inverídicas deverão prová-las na Justiça". 

Já a assessoria do MBL Bahia informou que "quanto à saída do chefe de gabinete, Sandro esclarece que a decisão foi tomada pelo ex-integrante do gabinete e comunicada à equipe na madrugada de sexta-feira". 

A reportagem também entrou em contato com o presidente da Câmara, Carlos Muniz. O chefe do Legislativo soteropolitano afirmou que nunca teve qualquer conversa sobre apoio com Sandro. “Sandro nunca me pediu apoio nenhum nesse sentido”, declarou Muniz.

A prefeitura de Salvador também foi procurada pelo BNews, mas não se manifestou sobre o caso.  O espaço segue aberto.

Justiça

A exposa de Sandro Filho (Progressistas), Mariana Silva Vasques, levou o caso à justiça, afirmando que nunca exerceu função em repartições públicas ou privadas, nem participou de atos políticos ou realizou aparições públicas mas, mesmo assim, foi exposta com afirmações de caráter difamatório e passou a sofrer ataques do mesmo gênero e inverídicos de Roberto Pé na Porta. Em razão disso, ela pediu que a justiça baiana condenasse o influencer a remover as publicações vinculadas ao seu nome, a realizar retratação pública e a pagar indenização por danos morais. 

Citado para apresentar defesa, Roberto Pé na Porta não se manifestou e nem comprovou as acusações feitas contra Mariana. 

Na decisão, a juíza Marcela Pamponet afirmou que o influencer ultrapassou os limites da liberdade de expressão e fez declarações não baseadas em fatos comprovados e o condenou a remover todas as publicações relacionadas às acusações, a publicar retratação pública em sua rede social e ao pagamento de indenização por danos morais no valor de R$ 3 mil.

"Da análise dos documentos colacionados aos autos, verifica-se que o conteúdo divulgado pelo requerido ultrapassou o limite da liberdade de expressão, pois não se baseou em fatos comprovados, mas em afirmações inverídicas apresentadas como verdade, imbuídas de nítido caráter difamatório e sensacionalista", disse.

Classificação Indicativa: Livre

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