Salvador

Fabricante famosa de móveis acusa restaurante baiano de pirataria; veja

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Os móveis estavam em tratativa comercial e foram replicados sem autorização  |   Bnews - Divulgação Reprodução Instagram @tidelli
Redação BNews

por Redação BNews

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Publicado em 02/06/2025, às 22h39 - Atualizado às 23h30



Tatiana Mandelli, fundadora da Tidelli, uma conceituada loja de móveis, usou as redes sociais nesta-segunda-feira (2) para denunciar um possível plágio de um dos seus produtos.

A gestora da empresa contou que toda equipe foi surpreendida com a cópia de peças exclusivas Tidelli em um grande restaurante de Salvador. De acordo com ela, os modelos estavam em tratativa comercial com o estabelecimento e eles foram replicados, incluindo a Cadeira Gamboa, assinada pelo designer baiano Manuel Bandeira.

"Isso não é coincidência. É violação de propriedade intelectual. É crime. E não vamos nos calar. Quem copia desrespeita o trabalho de artesãos, criadores e empreendedores brasileiros. E quem compra, compactua", desbafou Tatiana.

O designer baiano Manuel Bandeira também falou da decepção ao ver seu trabalho copiado sem autorização. "Levamos um ano em meio desenvolvendo esse produto e isso é um prejuizo muito grande pra mim".

Mandelli informou que medidas cabíveis já estão sendo tomadas e que seguirão firmes na defesa do design autoral brasileiro.

O que diz a Tidelli?
A Tidelli se posicionou, em nota enviada ao BNews, sobre o episódio relacionado à abertura do restaurante Almacen Pepe no Shopping Barra. A empresa destacou que a pirataria de móveis configura crime e fere diretamente os direitos de propriedade intelectual. Segundo a marca, suas peças são fruto de projetos autorais, protegidos por registro e propriedade industrial.

A empresa afirmou que a cópia de produtos não apenas caracteriza crime previsto na legislação brasileira, como também prejudica o mercado criativo e induz o consumidor ao erro, uma vez que o item adquirido não possui a procedência, nem os padrões de qualidade, segurança e sustentabilidade oferecidos pela Tidelli. Ressaltou, ainda, que esse não é um posicionamento isolado, uma vez que o Sindicato da Indústria do Mobiliário do Estado da Bahia (Moveba) também manifesta repúdio à apropriação indevida de conceitos e designs, defendendo uma atuação ética e a valorização da cadeia produtiva local.

A empresa acrescentou que reconhece o direito de escolha do consumidor, que pode adquirir os produtos que desejar, de acordo com seu gosto pessoal e orçamento. Contudo, ponderou que essa liberdade não se sobrepõe à legislação, que protege os direitos autorais e industriais dos criadores e das empresas. Para a Tidelli, defender o direito do consumidor não deve ser confundido com legitimar práticas ilegais, como a reprodução não autorizada de produtos de design.

Sobre a peça utilizada no restaurante, a Tidelli esclareceu que ela não faz parte do portfólio da empresa que a reproduziu, o que, segundo a marca, evidencia se tratar de uma cópia não autorizada. Informou também que o valor correto da cadeira original é de R$ 2.800,00 — e não R$ 30.000,00, como foi divulgado no programa.

A empresa lamentou a repercussão negativa e afirmou que a divulgação de informações falsas e distorcidas acabou prejudicando a imagem de uma empresa que atua há mais de 30 anos, gerando empregos e valorizando o design nacional. A marca pontuou que, em nenhum momento, citou publicamente o nome do restaurante envolvido, embora tenha sido surpreendida com o episódio — especialmente porque, segundo a empresa, um dos representantes do Almacen Pepe teria ido até a loja para conhecer pessoalmente a peça que foi posteriormente copiada.

A Tidelli frisou que a discussão não se trata de uma obrigação de compra de seus produtos, mas sim da prática de reprodução de um trabalho autoral, devidamente registrado e reconhecido pela sua qualidade, excelência e originalidade. A empresa alertou, ainda, que situações como essa acabam por gerar confusão no consumidor, associando, de forma equivocada e injusta, a imagem da marca a peças que não possuem seus padrões de qualidade, seu compromisso ambiental e sua identidade.

Leia a nota da empresa na íntegra:

Diante do exposto, apresentamos os seguintes esclarecimentos:

1. Sobre pirataria e propriedade intelectual
• A pirataria de móveis é crime e fere diretamente os direitos de propriedade intelectual. As peças da Tidelli são fruto de projetos autorais, protegidos por registro e propriedade industrial.
• A cópia de produtos configura crime previsto na legislação brasileira, sendo uma prática que prejudica não apenas a marca, mas todo o mercado criativo, além de induzir o consumidor ao erro, ao adquirir um produto sem a devida procedência, sem os padrões de qualidade, segurança e sustentabilidade que a nossa marca entrega.
• Este não é um posicionamento isolado da Tidelli. O próprio MOVEBA (Sindicato da Indústria do Mobiliário do Estado da Bahia) manifesta publicamente, por meio de comunicado anexo, seu repúdio à apropriação indevida de conceitos e designs, defendendo uma atuação ética, o respeito ao trabalho autoral e a valorização da cadeia produtiva local.

2. Direito de resposta – ausência de contato prévio
• Em momento algum a Tidelli foi procurada para se manifestar ou apresentar sua versão dos fatos antes da veiculação das informações no programa.
• Lamentamos profundamente que tal oportunidade de esclarecimento não tenha sido oferecida, visto que sempre estivemos – e seguimos estando – à disposição para prestar qualquer esclarecimento necessário, seja para a imprensa, seja para o público.

3. Sobre o direito de escolha do consumidor
• Reforçamos que o consumidor tem, sim, total liberdade para escolher os produtos que desejar, de acordo com seu gosto pessoal e seu orçamento.
• Contudo, é preciso esclarecer que, quando se trata de produtos falsificados ou cópias não autorizadas, essa liberdade não se sobrepõe à lei, que protege os direitos autorais e industriais de empresas e criadores.
• Defender o direito do consumidor não pode ser confundido com legitimar práticas ilegais como a reprodução não autorizada de produtos de design.

4. Sobre a peça copiada
• A peça em questão, utilizada no restaurante, nem sequer consta no portfólio da empresa que a reproduziu, o que, por si só, comprova que se trata de uma cópia não autorizada.
• Além disso, é importante esclarecer que o valor correto da cadeira original da Tidelli é R$ 2.800,00, e não R$ 30.000,00 como foi incorretamente divulgado durante o programa.

5. Sobre a repercussão e os fatos
• A Tidelli lamenta profundamente que informações falsas e distorcidas tenham sido divulgadas, prejudicando a imagem de uma empresa séria, com mais de três décadas de história, que gera empregos e valoriza o design nacional.
• Esclarecemos, ainda, que em nenhum momento a Tidelli citou publicamente o nome do restaurante envolvido, embora tenha sido surpreendida pela situação, especialmente considerando que um dos próprios representantes do Almacen Pepe esteve em nossa loja, presencialmente, para conhecer a peça que acabou sendo copiada.
• Por fim, reiteramos que o cerne da questão não está na decisão de adquirir produtos da Tidelli, e sim na prática de copiar um trabalho autoral, registrado e reconhecido no mercado pela sua qualidade, excelência e originalidade.
• Tal situação acaba por gerar confusão no consumidor e associar, de forma equivocada e injusta, a imagem da Tidelli a peças que não carregam nossos padrões de qualidade, nosso compromisso ambiental e nossa identidade como marca.

Classificação Indicativa: Livre

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