Saúde
por Leonardo Oliveira
Publicado em 10/12/2025, às 06h00
Cuidar da saúde dos olhos no verão vai muito além de um simples óculos escuro. Ela envolve proteção contra o sol, atenção à água do mar e da piscina, uso correto de lentes de contato e hábitos diários que preservam a visão.
A partir das orientações dos oftalmologistas Dr. Rafael Alves e Dr. César Sampaio para o BNews Summer, reunimos os principais riscos da estação para os olhos e como se proteger.
Riscos mais comuns no verão
De acordo com o Dr. Rafael Alves, oftalmologista e responsável técnico do Hospital de Oftalmologia da Santa Casa de Jequié, os principais riscos para a visão no verão estão ligados às atividades ao ar livre, especialmente praia e piscina, onde muitas pessoas mergulham com os olhos abertos, provocando forte irritação ocular pela água salgada e pelo cloro.
"É muito arriscado também o uso de protetor solar em excesso, principalmente alguns que são mais oleosos, não são mais secos e não são oftalmologicamente testados na região periocular, porque o suor faz com que aquele protetor ele caia, e pode cair na área dos olhos e gerar uma irritação até moderada”, explica a oftalmologista.
O especialista também destaca que a combinação de sol forte, vento e ambientes secos, como locais com ar-condicionado, favorece quadros de ressecamento ocular e ceratites, inflamações da córnea que podem surgir tanto pela exposição solar quanto pelo contato com substâncias irritantes, como o protetor solar que entra no olho.
Em situações mais graves, essas agressões podem evoluir para úlceras de córnea, lesões profundas que exigem tratamento mais prolongado e cuidadoso.
Radiação UV e doenças oculares
Os oftalmologistas explicam que a radiação ultravioleta tem impacto direto em estruturas delicadas do olho e atua de forma diferente conforme o tipo de raio.
"Ele vai acelerar a catarata, vai antecipar ela e principalmente o dano na retina, a região central macular, ela pode ser afetada, existe uma doença chamada degeneração macular relacionado à idade que, principalmente em idosos, mas essa radiação ajuda bastante a lesionar as células da retina, por isso que é importante sempre usar um óculos com proteção ultravioleta 100%”, explica Rafael.
O Dr. César Sampaio, coordenador da Oftalmologia do Hospital Mater Dei Salvador, detalha que o raio UVA possui maior poder de penetração e age principalmente na retina, podendo causar, em fase aguda, quadros de maculopatia fototóxica e, a longo prazo, contribuir para o desenvolvimento de degeneração macular em pessoas predispostas. Já o UVB atua de forma mais superficial, sendo mais intenso entre 10h e 16h.
“A UVB ela ocorre de 10 às 16 horas, mais ou menos, onde ela é mais intensa. Então ela provoca queimaduras mais superficiais. Na pele, você tem a pele avermelhada e a queimadura pode ser mais intensa ou menos intensa. E no olho, ela pode provocar queimaduras na córnea. Esses pacientes têm uma coisa que chama ceratite. A inflamação é uma queimadura na parte mais anterior da córnea. Ou ela pode ter uma ação mais profunda", explica Dr. César.
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Óculos escuros e proteção ideal
Ambos os especialistas são unânimes ao afirmar que os óculos escuros devem ser aliados indispensáveis do verão, desde que tenham proteção comprovada. Rafael orienta que a população dê preferência a óculos adquiridos em óticas e de marcas confiáveis, com certificado de proteção ultravioleta 100% para UVA e UVB.
Ele também traz uma observação de que não se deve confiar em modelos vendidos em camelôs, pois não há garantia de filtragem adequada, lembrando que não é apenas a lente escura que protege. As lentes claras também podem oferecer proteção UV, desde que certificadas.
Já o Dr. César explica que o pigmento da lente reduz a intensidade da luz e ajuda a controlar a fotofobia, enquanto a proteção UV é responsável por barrar a radiação nociva, podendo aparecer na especificação como “UVA/UVB 100%” ou “UV 400”, indicando filtragem até o espectro de 400 nanômetros.
“A proteção da irradiação ultravioleta, geralmente ela é feita com os óculos. Tem que observar se os óculos tem a filtração ideal, tem o filtro ideal de 100% de radiação. Além de contato, também ela tem o filtro, só que ela só protege a área da córnea, ela não protege a área da conjuntiva porque ela é mais central no olho. Os óculos protegem como um todo", explica.
“Os óculos são mais fáceis de usar, são mais práticos. A pessoa coloca e tira a hora que quer, não tem nenhum problema. E além da proteção ser mais ampla, ele tem tira um pouco a intensidade, tira mais a intensidade da luz, que é a correção da fotofobia. Além de contato, ela protege a parte central, mas a parte da conjuntiva periférica não tá sendo protegida pela lente de contato", complementa.
Lentes de contato, praia e piscina
No verão, o cuidado com lentes de contato precisa ser redobrado, principalmente para quem não abre mão da piscina ou do mar. Rafael é categórico ao orientar que não se deve entrar em piscina ou mar usando lentes de contato, mesmo sem mergulhar, pois "respingos e ondas podem levar micro-organismos presentes na água a aderirem à lente, como a Acanthamoeba, capaz de causar infecções graves na córnea e até cegueira completa. Ele reforça que qualquer contato da lente com água aumenta muito o risco de ceratites infecciosas", afirma.
O Dr. César complementa que o uso de lentes, seja no verão ou em outras épocas, exige higiene rigorosa das mãos, limpeza com soluções específicas e cuidado com o estojo, que deve ser bem lavado, seco em local arejado e higienizado regularmente com shampoo neutro e escova exclusiva.
"O uso prolongado de lentes gelatinosas, a má adaptação ou a falta de cuidados favorecem complicações sérias, como úlceras de córnea, motivo pelo qual qualquer desconforto, dor, sensação de corpo estranho ou vermelhidão após exposição ao sol deve levar o paciente ao oftalmologista imediatamente", orienta.
Sinais de alerta e quando procurar ajuda
Os especialistas destacam que o corpo dá sinais quando algo não vai bem com os olhos, principalmente depois de exposição intensa ao sol, mar ou piscina. Para Rafael Alves, sintomas como olho muito vermelho, ardência acentuada, irritação ou piora da visão podem indicar desde irritações simples até lesões da córnea, como ceratites químicas pelo protetor solar ou inflamatórias pelo excesso de banho de mar e piscina, exigindo avaliação médica para evitar complicações.
Dr. César lembra que o verão também favorece o aumento de casos de conjuntivite, em razão da maior aglomeração de pessoas, uso prolongado de lentes e contato com ambientes compartilhados, como clubes e festas.
"O olho vermelho com secreção pode ter causas diversas, indo de infecções bacterianas a conjuntivites virais ou processos inflamatórios, e que o tratamento varia conforme o tipo de quadro, por isso o diagnóstico profissional é essencial", explica.
Higiene, lubrificantes e alimentação
No dia a dia, a higiene adequada também faz diferença na proteção ocular durante o verão. Rafael Alves recomenda evitar abrir os olhos debaixo d’água, já que o cloro e a água salgada alteram a qualidade da lágrima e irritam a superfície ocular, e sugere o uso de produtos específicos para limpeza da região dos olhos para remover resíduos, principalmente de protetor solar que possa escorrer para a área periocular.
"Ao perceber que o produto está descendo em direção ao olho, a pessoa deve secar suavemente o excesso com papel seco, reduzindo o risco de irritação", afirma.
Quanto ao ressecamento, o médico indica o uso de colírios lubrificantes, preferencialmente sem conservantes, aplicados a cada três ou quatro horas em ambientes muito secos, com vento, ar-condicionado ou sol intenso, para diminuir a evaporação precoce da lágrima.
Ele destaca ainda que "alimentos ricos em ômega 3 e, quando necessário, suplementos, ajudam a melhorar a camada gordurosa da lágrima, reduzindo a evaporação e prevenindo sintomas de olho seco não só no verão, mas ao longo de todo o ano".
Boné, chapéu e cuidados gerais
Além dos óculos, outras barreiras físicas podem reforçar a proteção contra os danos do sol. O especialista enfatiza que chapéus de aba larga e bonés são aliados importantes em praias, na zona rural e em qualquer ambiente de alta exposição solar, funcionando como complemento aos óculos, embora não os substituam, ao "ajudar a reduzir a quantidade de radiação que atinge diretamente a região dos olhos".
Para ambos os especialistas, a mensagem central é que todos devem ter cuidados semelhantes, independentemente da idade.
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