Saúde
Sentir um peso na região íntima, perder urina ao tossir ou rir, não conseguir segurar gases em situações sociais. Esses problemas, que afetam milhares de mulheres, ainda são cercados de silêncio e constrangimento. O impacto vai além do desconforto físico: mexe com a autoestima, limita atividades cotidianas e pode até afastar da vida social.
Segundo a fisioterapeuta pélvica Michele Nogueira Uzel, especialista em uroginecologia e obstetrícia, esses sinais são claros indícios de que a musculatura pélvica está enfraquecida. “O corpo dá alertas que não devem ser ignorados. A perda de urina em momentos de esforço ou até durante a relação sexual é um dos primeiros sintomas”, explica.
Incontinência não tem idade
Michele reforça que a incontinência urinária e fecal não é exclusividade de mulheres mais velhas. Ela pode surgir em qualquer fase da vida, especialmente em gestantes e no pós-parto, quando há sobrecarga na região pélvica. Além disso, o aumento da prática de esportes de impacto entre mulheres também contribui para o surgimento das disfunções.
Para a especialista, a falta de atenção ao assoalho pélvico é cultural. “É uma região esquecida. Muitas disfunções poderiam ser prevenidas se houvesse acompanhamento da fisioterapia pélvica desde cedo”, afirma.
Tratamento e resultados
O tempo de recuperação varia de acordo com cada paciente, mas em média são necessários três meses para perceber avanços significativos. O processo inclui etapas como ganho de consciência corporal, fortalecimento muscular e ajustes posturais.
Em casos mais complexos, como mulheres que não conseguem contrair a musculatura após o parto, o tratamento pode se estender por até 15 sessões.
Michele lembra que o comprometimento da paciente é decisivo. “Seguir as orientações fora do consultório é tão importante quanto as sessões”, ressalta. Ela aponta ainda que condições como constipação intestinal ou endometriose podem agravar os sintomas e precisam ser tratadas em conjunto.
Prevenção e quebra de tabus
A fisioterapeuta defende que a prevenção seja prioridade. Exercícios pélvicos orientados por profissionais especializados ajudam a evitar disfunções futuras. No entanto, ela alerta para os riscos de informações equivocadas encontradas na internet. “Nem tudo que se vê é confiável. É fundamental uma avaliação individualizada”, reforça.
Michele também chama atenção para os tabus que ainda cercam o tema. Muitas mulheres não procuram ajuda por vergonha ou desconhecimento. “Nossa base de educação sexual é fraca. Desde a infância deveríamos aprender o que é a vulva, como higienizá-la e quem pode tocá-la. Esse conhecimento também é uma forma de prevenir abusos, que têm relação direta com disfunções pélvicas na vida adulta”, afirma.
Qualidade de vida e autoestima
Os benefícios da reabilitação vão além da saúde física. Recuperar o controle sobre o próprio corpo significa liberdade e empoderamento. “É sentir-se mais viva, com conforto e bem-estar. É poder sair de casa sem medo de perder urina na hora errada, sem precisar usar fraldas ou absorventes que podem causar irritações”, descreve.
Para Michele, cuidar da saúde íntima é também cuidar da força vital da mulher. Ao romper tabus e buscar tratamento, é possível conquistar autonomia, bem-estar e uma nova relação com o próprio corpo.
Assim, a fisioterapia pélvica se mostra não apenas como tratamento, mas como ferramenta de prevenção e transformação. Em um cenário ainda marcado por silêncio e preconceito, o cuidado com a saúde íntima surge como caminho essencial para garantir qualidade de vida e autoestima às mulheres.
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