Saúde
por Leonardo Oliveira
Publicado em 27/11/2025, às 10h03 - Atualizado às 11h14
De acordo com um novo estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Cambridge, o cérebro não se desenvolve de maneira contínua. A conclusão é baseada em exames de 3.802 pessoas do nascimento aos 90 anos.
A análise mostra que a estrutura das conexões neurais muda de direção em determinados períodos, revelando a existência de cinco fases durante a vida, no qual, cada uma delas se inicia após alterações significativas nas regiões cerebrais passam a se comunicar entre si.
Como foi feita a pesquisa
Os pesquisadores usaram exames de ressonância magnética de difusão, um tipo de imagem que mostra por onde a água circula no tecido cerebral. Quando moléculas de água se movem por certos caminhos, elas revelam o desenho das fibras que conectam uma região à outra. Desta forma, é possível verificar como se organizam essas conexões.
Após isso, a equipe aplicou ferramentas que mostram o comportamento das redes cerebrais. Quando regiões distantes possuem facilidade para se comunicar, o cérebro está mais integrado. Quando grupos de áreas trabalham mais dentro de seus próprios limites, significa que está mais segmentado. Já quando algumas regiões assumem um papel central, é porque concentram boa parte do fluxo de informação.
Através de uma técnica de representação gráfica conhecida como UMAP, foi possível visualizar como ocorrem essas modificações ao longo da vida. Desta forma, foi possível evidenciar as cinco fases sugeridas.
“Sabemos que a estrutura do cérebro é crucial para o nosso desenvolvimento, mas não temos uma visão completa de como ela muda ao longo da vida e por quê”, afirma Alexa Mousley, autora principal, em comunicado. “Este é o primeiro trabalho a identificar as principais fases da formação das conexões cerebrais ao longo da vida humana.”
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Quais são as fases
A primeira fase começa no nascimento até cerca de nove anos. Ela é caracterizada por uma reorganização intensa, no qual o cérebro infantil passa por uma “poda sináptica” que elimina ligações pouco utilizadas e fortalece as que fazem mais sentido.
A partir dos nove anos, o cérebro entra na segunda época, que se estende até aproximadamente os 32. É um intervalo muito mais longo do que costumamos associar à adolescência. Nesse período, há um ganho progressivo de eficiência das redes no qual a comunicação entre regiões distantes fica mais rápida, e a arquitetura geral das conexões se torna mais organizada.
“A adolescência é a única fase em que essa eficiência está aumentando”, afirma Mousley em comunicado. Isso não significa que pessoas de 30 anos ajam como adolescentes, mas que o padrão de reorganização neural ainda segue a mesma lógica.
Após os 32 anos, o cérebro entra na terceira fase, que vai até os 66 anos. É o período de maior estabilidade, com mudanças mais lentas. A integração diminui aos poucos, a segregação aumenta, e o papel das regiões mais conectadas permanece relativamente constante.
O ponto de virada seguinte, aos 66 anos, não possui uma ruptura tão brusca quanto as anteriores. Nessa fase, a característica das redes mais associada ao envelhecimento passa a ser a modularidade, ou seja, o quanto os grupos de regiões funcionam de maneira mais separada.
A última grande virada acontece por volta dos 83 anos. O cérebro passa a depender mais de alguns poucos núcleos que ainda mantêm boa comunicação interna, em vez de se apoiar em redes amplas distribuídas pelo órgão.
Isso torna o desempenho mais desigual onde as habilidades sustentadas por circuitos antigos, muito consolidados, permanecem fortes, enquanto funções que exigem redes maiores, como formar memórias recentes, ficam mais vulneráveis.
“Compreender que a jornada estrutural do cérebro não é uma progressão constante, mas sim uma sequência de pontos de virada, nos ajudará a identificar quando e como sua estrutura se torna mais vulnerável”, afirmou em nota.
“Essas eras fornecem um contexto importante para entendermos no que nossos cérebros podem ser mais eficazes ou mais vulneráveis em diferentes fases da vida. Isso pode nos ajudar a compreender por que alguns cérebros se desenvolvem de maneira diferente em momentos-chave da vida, sejam dificuldades de aprendizagem na infância ou demência na terceira idade”, concluiu Mousley.
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