BNews Turismo
A Bahia é um dos estados brasileiros com maior diversidade de ecossistemas no território brasileiro, com praias paradisíacas, recifes de corais, manguezais, restingas e áreas de Mata Atlântica. No entanto, o aumento do fluxo de visitantes durante a alta temporada levanta o questionamento de como conciliar turismo, desenvolvimento econômico e preservação ambiental.
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Em entrevista ao projeto BNews Summer, o biólogo Francisco Kelmo destaca que a resposta passa diretamente pelo fortalecimento do turismo sustentável e responsável. Segundo o especialista, quando bem planejado, o turismo deixa de ser uma ameaça e passa a atuar como ferramenta de conservação.
“O turismo sustentável é uma forma de receber visitantes que ajuda a conservar a natureza em vez de destruí-la. Quando a visita é organizada, com regras claras, número máximo de pessoas e cobrança de ingressos ou taxas, parte desse dinheiro pode voltar diretamente para a conservação”, explicou.
Um dos caminhos é o uso de taxas e ingressos em atividades controladas, como mergulho em recifes ou passeios de observação de baleias. De acordo com Kelmo, esses recursos podem ser revertidos para fiscalização, pesquisa científica e educação ambiental.
Outro modelo apontado como estratégico é o turismo de base comunitária, cada vez mais presente em comunidades costeiras e rurais da Bahia. Nesse formato, os próprios moradores recebem os visitantes, definem regras de uso do território e ficam com parte significativa da renda gerada.
“Quando isso acontece, aumenta o cuidado com a pesca, com o combate ao desmatamento e com a valorização de conhecimentos tradicionais sobre marés, manguezais e plantas nativas”, afirmou o biólogo.
No litoral baiano, atividades como a observação de tartarugas, aves marinhas, recifes e baleias, quando feitas com regras claras, ajudam a conscientizar sobre a importância de reduzir lixo plástico, respeitar períodos reprodutivos e apoiar áreas protegidas.
Por outro lado, Francisco Kelmo alerta para os danos causados pelo turismo não sustentável, ainda comum em diversas regiões do estado. A ocupação desordenada do litoral, a retirada de vegetação nativa e a construção sem planejamento comprometem dunas, manguezais e recifes, que funcionam como barreiras naturais contra a erosão e como “berçários” de espécies marinhas.
O excesso de barcos, motos aquáticas e visitantes em áreas sensíveis também estressa a fauna, podendo levar ao abandono de ninhos e filhotes.
A poluição é outro problema grave, especialmente durante a alta temporada e com o aumento da circulação de pessoas. O esgoto sem tratamento e lixo gerado por hotéis e casas de veraneio prejudicam a qualidade da água e colocam em risco peixes, aves e tartarugas.
“A poluição também é um problema sério, esgoto sem tratamento e lixo de hotéis e casas de veraneio pioram a qualidade da água, favorecem doenças e podem matar organismos aquáticos. Plásticos, bitucas e embalagens acabam sendo ingeridos por animais, causando ferimentos e até morte”, pontuou o biólogo.
Para mitigar esses impactos, Kelmo defende um conjunto de medidas que inclui planejamento costeiro, definição de limites de visitação e fortalecimento das unidades de conservação terrestres e marinhas.
Entre as ações prioritárias estão a garantia de saneamento básico nas áreas turísticas, a adoção do conceito de “lixo zero” em praias e embarcações e a criação de códigos de conduta para atividades como mergulho e observação de fauna, sempre sem tocar, alimentar ou se aproximar excessivamente dos animais.
Na avaliação do especialista, a alta temporada pode, sim, ter um impacto positivo sobre o meio ambiente, desde que baseada em regras claras, fiscalização e participação social: “O turismo pode degradar ou proteger. Em um estado tão rico em biodiversidade como a Bahia, o que faz a diferença é a gestão responsável”, resumiu Francisco.
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