Política

Esquerda baiana reage após professora ser acusada de doutrinar comunismo

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Aluna denunciou que docente ensinava "conteúdo esquerdista"

Publicado em 19/11/2021, às 14h47    Divulgação    Henrique Brinco

Após a grande repercussão da intimação contra uma professora de filosofia do Colégio Estadual Thales de Azevedo, na capital baiana Salvador, diversos políticos de esquerda se manifestaram. A docente foi intimada pela polícia para prestar esclarecimentos após um aluna registrar ocorrência alegando que ela ensinava "conteúdo esquerdista" em sala de aula.

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Entre os assuntos abordados, estariam questões de gênero, racismo, assédio, machismo e diversidade. A professora, que pediu para não ser identificada, contudo, está sendo acusada por grupos bolsonaristas de doutrinar o comunismo em sala de aula.

A deputada federal Alice Portugal (PCdoB) afirmou que a "liberdade de cátedra assegura a liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber". "Garante o pluralismo de ideias e concepções no ensino. Os professores e professoras não podem perder a autonomia pedagógica. Isso é um absurdo!", afirmou a parlamentar comunista.

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A deputada federal Lídice da Mata (PSB) também repudiou veementemente o fato. "Fui surpreendida com essa notícia absurda de que uma aluna teria denunciado uma professora por conteúdo esquerdista. Isso é inadmissível e é contra a Constituição Federal. É contra a liberdade de o professor defender suas opiniões em sala de aula e, principalmente, passar os conteúdos de suas matérias. É isso que eles querem fazer no Brasil: uma divisão e uma atitude de um Estado policialesco e de censura", ressaltou Lídice. "Nós dizemos não a essa atitude! E dizemos sim à liberdade, à democracia no Brasil e, por isso, Fora Bolsonaro e sua gente com a escola dita ‘sem partido’, que é uma escola ideológica, com partido de extrema direita", emendou.

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Líder da oposição na Câmara de Salvador, a vereadora Marta Rodrigues (PT) foi outra que repudiou o caso. A edil, que é presidente da Comissão de Direitos Humanos e de Defesa da Democracia do legislativo municipal, informou que irá reunir o colegiado para discutir o fato, considerado por ela como "absurdo" e "inaceitável". 

"Essa circunstância fere gravemente a liberdade de expressão e o direito de cátedra, princípios garantidos na Constituição Federal. É um absurdo que estejamos vivendo essa situação no Brasil e principalmente em Salvador e na Bahia, onde sempre pautamos a democracia e a liberdade de ensino como primordiais. Como dizia o educador Anísio Teixeira a escola deve ser a máquina de fazer democracia", criticou.

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O caso está sendo acompanhado pela APLB-Sindicato, que garantiu todo o apoio jurídico e psicológico a professora. Na manhã desta sexta-feira (19), alunos do Thales de Azevedo fizeram uma manifestação em apoio à educadora. Segundo eles, em nenhum momento a professora tentou impor qualquer temática que não fizesse parte do plano pedagógico. A Polícia Civil afirmou que está acompanhando o caso.

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