Copa do Mundo

Salvador ainda não está garantida na Copa das Confederações

Secretário Ney Campello, no entanto, acredita que vai conseguir trazer a competição para a cidade

Publicado em 21/10/2011, às 11h20        Luiz Fernando Lima

A expectativa de abrir a Copa das Confederações de 2013 do secretário de Assuntos da Copa do Mundo (Secopa), Ney Campello (PCdoB), foi frustrada nesta quinta-feira (20) após a Fifa anunciar que a partida será realizada em Brasília. Pior para os baianos é que a federação condicionou a participação de Salvador no evento ao cumprimento de diversas exigências. Entre elas, a construção da Arena Fonte Nova.

Para Campello, Salvador vai abrigar jogos da Copa das Confederações. “Temos a possibilidade de ver o Brasil jogando aqui”. O secretário destaca a declaração do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, que durante o anuncio da tabela e sedes, deixou claro a participação de Recife e Salvador. O secretário vai enviar um ofício à Fifa amanhã solicitando que todas as condicionantes sejam apresentadas.

A decisão compete à Fifa, mas é inegável o poder de influência de Teixeira nas escolhas da entidade, portanto, a convicção do cartola é um dado a ser levado em consideração.

Questionado pela reportagem do Bocão News sobre a insegurança causada pela condição imposta pela Fifa para que Salvador sedie o campeonato de 2013, Campello argumenta que por aqui tudo continua em movimento e acompanhando um cronograma que permite a realização da competição.

Sobre as expectativas de abrir a Copa, o secretário afirmou que a defesa de Salvador e o pleito pela partida inicial, respaldados por ele tinham como objetivo “combater o preconceito que existe contra o nordeste”. “Um repórter do Rio de Janeiro me perguntou se não era pretensão nossa querer a abertura. Este tipo de pensamento precisa ser combatido. Se não nos mobilizássemos nós ficaríamos como as cidades que vão receber apenas quatro jogos do mundial”.

Obras

Em nota, a Secopa afirma que 30% das obras da Arena Fonte Nova estão concluídas. O problema é que apenas 20% (64.6 mi) dos R$ 323 milhões foram liberados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O restante só deve ser autorizado após a aprovação do pedido pelos conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE).

O impasse entre tribunal e governo se arrasta há mais de um dois anos. Em junho as discussões ganharam novos impulsos e os responsáveis pela obra, o Consórcio Fonte Nova Participações (FNP), concordaram em apresentar os projetos executivos para que fossem auditados pelo TCE.

O tribunal não tem corpo técnico suficiente para aferir todos os dados, diante desta realidade os conselheiros autorizaram a contratação de um grupo especializado da Universidade Federal da Bahia. A última informação sobre o assunto é de que o contrato está próximo de ser efetivado. Os trabalhos devem ser iniciados tão logo seja possível.

Até o final do ano a FNP deve enviar todas as etapas do projeto executivo como acordo com o TCE. Antes disso, o governo tenta sensibilizar os responsáveis pelo contrato ao BNDES para conseguir a liberação de 65% dos recursos (cerca de 190 mi).

Desde agosto o Executivo estadual trabalha para liberação deste percentual, no entanto, ainda não houve posicionamento do BNDES. Campello argumenta que a medida foi adotada em Pernambuco e que não há razão para se tomar decisões diferentes no caso baiano.

BNB

A FNP tem ainda outro entrave: o Banco do Nordeste (BNB). O contrato entre consórcio e banco não tem nenhuma relação com o outro, com o BNDES, no entanto, a quarta prestação já venceu e o BNB não liberou nenhum centavo dos R$ 250 milhões.

No início do mês de outubro a reportagem do Bocão News questionou a assessoria do banco sobre o bloqueio, mas não teve resposta. Os funcionários do BNB permanecem em greve há quase um mês.

De acordo com Campello, o banco fez uma consulta ao Tribunal de Contas da União (TCU) para saber se deveria liberar o recurso. No entanto, os ministros entendem que não há vinculação e que, portanto, não precisam se manifestar.

O secretário acredita que um posicionamento oficial do TCU no sentido de esclarecer a não vinculação dos contratos resolveria o problema e os recursos seriam liberados, mas não há informações oficiais sobre isso.

Enquanto não sai nenhuma resolução a FNP segue a construção do estádio com recursos próprios e com os 20% já liberados pelo BNDES.
Campello cobra que os ministros do TCU e os conselhos do TCE sejam céleres, rápidos nas suas decisões. “Acredito que é possível ser célere e zeloso. Não estamos querendo negligência, mas não podemos perder de vista que a Copa tem data para começar. Nós estamos cumprindo a nossa parte e esperamos que tudo seja resolvido rapidamente”.

Copa

Sobre os seis jogos garantidos para a Copa, o secretário afirma que não ficou de todo satisfeito, mas que não pode reduzir a participação de Salvador no Mundial. “Serão seis jogos. Três cabeças de chaves jogarão aqui. Podemos ter Argentina, Espanha, Itália, Inglaterra, Holanda, França, Alemanha, além de outras potencias jogando aqui”.

Campello ressalta ainda que das 12 cidades, quatro estão melhores colocadas que Salvador (Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Brasília), depois, segundo o secretário, vem a Cidade da Bahia

Questionado sobre a possibilidade de ver o Brasil jogar em Salvador – se a seleção ficar em segundo no grupo A e passar pela oitava-de-final, jogará na Bahia a quarta-de-final -, o secretário preferiu não entrar na brincadeira. “Vou torcer para o Brasil ganhar todos os jogos”.

Salvador recebe jogos entre os dias 13 de junho e 5 de julho.

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