Meio Ambiente

Junho Verde: Entenda o impacto das redes sociais na luta pela consciência socioambiental

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Ativistas ambientais destacam a importância da consciência socioambiental através das redes sociais  |   Bnews - Divulgação Ilustrativa / FreePik
Natane Ramos

por Natane Ramos

Publicado em 04/06/2025, às 12h00



As redes sociais são fortes ferramentas que podem e devem ser utilizadas para a educação e sensibilização da população sobre importantes temáticas. Neste mês, a campanha Junho Verde ganha força em uma luta pela conscientização ambiental, e essas redes podem apresentar impactos notáveis no incentivo a essas ações.

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Em entrevista ao BNews para o projeto do Junho Verde, a ambientalista Amanda Costa, diretora do Instituto Perifa Sustentável, conselheira do Institucional Pacto e embaixadora da ONU, relatou como as redes sociais podem promover uma conscientização ambiental e inspirar ações sustentáveis.

"As redes sociais têm um potencial enorme de democratizar o acesso à informação e conectar territórios que antes estavam isolados do debate ambiental. Quando usamos essas plataformas com intencionalidade, conseguimos não só divulgar práticas sustentáveis, mas também traduzir conceitos complexos em uma linguagem acessível, periférica, jovem e conectada com a realidade das pessoas. É ali que a gente transforma o ‘conteúdo’ em convite à ação. A informação, por si só, não transforma — mas a forma como a gente comunica pode inspirar mudanças reais de comportamento, de valores e até de políticas públicas", relatou.

A ativista climática destaca como existem desafios ao trabalhar essa temática nas redes sociais, como o que é "válido" para o algoritmo e como isso expressa o racismo ambiental presente nas discussões sobre meio ambiente. "Vozes periféricas, negras, indígenas, são frequentemente invisibilizadas, enquanto outras têm mais alcance e reconhecimento. A luta é pra hackear esse sistema, manter a coerência e, ao mesmo tempo, seguir produzindo conteúdo que gere identificação e ação", ressaltou.

A pesquisadora caracteriza as redes sociais como detentoras de um poder de influenciar a opinião pública para além de dados frios em uma tela. "A opinião pública não se movimenta só com dados ou relatórios — ela muda quando alguém se vê refletido numa história. Quando uma jovem da periferia fala de como a falta de saneamento afeta sua saúde e conecta isso à justiça climática, aquilo vira um espelho. E espelhos geram consciência. As redes têm esse poder: multiplicar vivências, gerar empatia e tensionar o senso comum. É sobre sair da lógica do 'salve o planeta' e entrar na narrativa de 'salve quem vive nele em desigualdade'", explicou.

Anne Martins, educadora de origem e gestora ambiental, com MBA em sustentabilidade Empresarial, especialista em Gestão de Resíduos Sólidos, Embaixadora Lixo Zero, sócia da Protea Ambiental e co-fundadora do Instituto Dendezeiros, também participou da entrevista, e ressaltou como as redes sociais podem trazer visibilidade para diversas iniciativas, podem gerar um impacto significativo para a preservação do meio ambiente.

"As redes sociais tem grande potencial de moldar percepções e despertar o senso crítico, quando usadas com responsabilidade e estratégia. Elas permitem que temas ambientais sejam contextualizados em linguagens simples e conectadas a pautas sociais, como saúde, justiça, moradia, emprego e direitos humanos. Isso amplia o alcance das mensagens e torna os problemas ambientais mais tangíveis para diferentes públicos. A partir de relatos reais, dados confiáveis, imagens de impacto, é possível gerar empatia, mudar narrativas e provocar questionamentos sobre padrões de consumo, políticas públicas e responsabilidades individuais e coletivas", declarou.

A pesquisadora detalhou o papel das redes sociais como forma de mobilização de ações positivas para uma educação socioambiental. "As redes sociais funcionam como catalisadoras de ações ambientais concretas, quando combinadas com estratégias de mobilização comunitária e engajamento cidadão. A partir delas, podemos convocar mutirões, campanhas, petições, eventos, oficinas e feiras sustentáveis. Essas ações fortalecem quando ganham visibilidade e envolvem a população no planejamento e na execução", informou.

"É preciso considerar que questões ambientais ainda são vistas como secundárias ou distantes do cotidiano, o que exige um trabalho contínuo de aproximação e contextualização das mensagens", finalizou.

Assim como Amanda, Anne destaca a necessidade da atuação do Estado na promoção desses debates através das redes sociais, destacando que ele tem "o dever de liderar ações educativas, também nas redes, como parte de suas políticas públicas ambientais e de cidadania".

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