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Irã considera proibir animais de estimação: “Perigosos e impuros”

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Projeto prevê proibir cães e gatos além de outro animais na República Islâmica

Publicado em 06/12/2021, às 22h39    Pixabay    Redação BNews

Um projeto de Lei estuda proibir cães e gatos na República Islâmica por considerá-los “perigosos” e “impuros”. A relação complexa dos Irã com os pets se estende por alguns anos.

De acordo com um rascunho de lei enviado este mês ao Parlamento do Irã: “Os animais causam uma mudança gradual no estilo de vida iraniano e islâmico e substitui o amor e os laços sentimentais entre as pessoas pelo dos animais”.

O projeto da "Lei de Proteção Pública contra os Animais Perigosos e Nocivos" propõe a proibição da “importação, reprodução, criação, venda ou transporte de animais perigosos e sujos”. Além disso, a lei pretende proibir a presença dos animais em espaços públicos. Caso a lei seja aprovada, quem a desobedecer receberá uma multa de um valor entre 10 e 30 vezes o salário mínimo do país e a apreensão dos animais.

Dentre os animais, mencionam-se crocodilos, tartarugas, serpentes, camaleões, ratos e macacos, mas também outros mais comuns como cães, gatos e coelhos.

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A lei permite, contudo, que determinados órgãos possuam os animais, como a Polícia, laboratórios farmacêuticos e as Forças Armadas.

Quem quiser possuir um animal de estimação deverá solicitar uma permissão especial no gabinete fiscal da cada província, que irá "investigar" os pedidos.

Os deputados que são a favor da medida argumentaram que os animais espalham doenças, “criam impurezas”, causam “danos psicológicos”, “stress” e “danificam o espírito das pessoas”, entre outras questões. O líder supremo do Irão, Ali Khamenei, disse que o suor, saliva e pelo dos cães “sujam” as pessoas e provocam que a oração “não seja válida”.

Vale lembrar que o falecido aiatola Ruhollah Khomeini, fundador da República Islâmica, afirmava, nos anos 80, que um edifício construído num terreno por onde um cão passou ou urinou será impuro.

A proposta causou polêmica no país. Os mais conservadores parecem apoiar, já os menos religiosos não concordam coma medida.

“Na minha opinião, não tem qualquer lógica”, disse a Agência Efe Maryam Talai, ativista dos animais e dona de um refúgio para cães em Teerão. “Não sei porque é que um grupo de deputados dedica o seu tempo e dinheiro das pessoas a tratar desse tema em vez de resolver os problemas do país”, continua.

A atriz Hanieh Tavassoli optou pela ironia com uma foto do seu gato no seu perfil do Instagram. Na legenda, ela escreveu “o meu querido perigoso”, em referência à legislação. A publicação recebeu mais de 60.000 “likes” e quase 1.500 de comentários.

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