Entrevista

Guilherme Boulos: "Essa eleição é decisiva para a história do Brasil"

Dinaldo Silva/BNews

Pré-candidato a deputado federal, Boulos visitou Salvador e concedeu uma entrevista exclusiva ao BNews

Publicado em 12/06/2022, às 06h00    Dinaldo Silva/BNews    Eduardo Dias

Professor, coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e da Frente Povo Sem Medo, Guilherme Boulos (PSOL) foi candidato à Presidência da República em 2018 e à Prefeitura de São Paulo em 2020.

Agora, pré-candidato a deputado federal nas eleições deste ano, Boulos visitou Salvador na última terça-feira (7) para gravar vídeos em apoio aos pré-candidatos do partido no estado e conversou com exclusividade com o BNews sobre eleições e os principais assuntos da política nacional e baiana.

Desde sua primeira eleição, em 2006, o PSOL nunca tinha ficado sem um candidato à Presidência. Neste ano, o partido fechou questão e definiu o apoio ao ex-presidente Lula (PT) já no primeiro turno e lançar Boulos como pré-candidato a deputado federal. 

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Confira a entrevista completa com Guilherme Boulos:

Como o apoio a Lula já no primeiro turno interfere no crescimento do PSOL? Você acha que outras siglas de esquerda deveriam fazer o mesmo na tentativa de derrotar o presidente Jair Bolsonaro? 

“O PSOL tomou uma decisão extremamente acertada. Essa eleição não é uma eleição qualquer. Essa eleição é decisiva para a história do Brasil, é a mais importante desde o fim da ditadura militar e a gente tem não só a oportunidade, mas o dever de derrotar o Bolsonaro, seus milicianos e essa política do ódio e do autoritarismo. Por isso, o PSOL teve a maturidade de entender que é um momento de união. União das forças progressistas. E o Lula é a candidatura que representa melhores condições de liderar essa frente. Agora, o PSOL vai continuar crescendo. Foi o partido político do Brasil que mais cresceu nos últimos anos. Em número de filiados, que ampliou suas bancadas em todo o país e vai continuar crescendo justamente por ter adotado a política correta. Vai crescer muito no parlamento, nas suas eleições de bancada, tanto para o federal quanto nos estados”.

Você acha que a chapa Lula-Alckmin é suficiente para derrotar Bolsonaro? 

“Eu já me posicionei mais de uma vez publicamente de que eu acredito que essa composição não é a ideal, não é a melhor. Sou do estado de São Paulo, Alckmin governou por quatro vezes o estado e, na sua política enquanto governador, não teve valorização dos servidores públicos, não teve valorização da educação, da moradia popular. Agora, nós estamos numa situação tão grave no Brasil que não é o fato de eu discordar da indicação de vice que vai me impedir de me dedicar de corpo e alma para eleger o Lula”.

Qual sua avaliação do governo Bolsonaro até aqui?  

“É o pior governo da história do Brasil, sem sombra de dúvidas. Um governo genocida, responsável diretamente pelas mortes de mais de 660 mil brasileiros durante a pandemia, ao trabalhar contra a vacina, ao recomendar remédios sem nenhuma eficácia, ao adotar medidas contrárias ao que propunha os sanitaristas, os epidemiologistas, foi um governo que agravou a crise social e econômica brasileira. O Brasil voltou ao mapa da fome, depois de 30 anos a inflação voltou. Olha o preço da gasolina, do bujão de gás. É um governo que piorou ainda mais o ambiente democrático do nosso país, fomentando conflito entre  os poderes, criando uma cultura de ódio, de autoritarismo na sociedade brasileira. Eu acho que o desafio desse ano é virar a página desse pesadelo e derrotar o Bolsonaro e, mais do que isso, vamos lutar para que ele pague pelos seus crimes na cadeia, respondendo pelos crimes que cometeu. 

“É o pior governo da história do Brasil, sem sombra de dúvidas. Um governo genocida, responsável diretamente pelas mortes de mais de 660 mil brasileiros durante a pandemia, ao trabalhar contra a vacina, ao recomendar remédios sem nenhuma eficácia, ao adotar medidas contrárias ao que propunha os sanitaristas, os epidemiologistas, foi um governo que agravou a crise social e econômica brasileira.” (Guilherme Boulos)

Um dos seus marketeiros veio para a Bahia para ajudar a campanha dos pré-candidatos do partido. Como você vê as chances dessas candidaturas do PSOL e qual a expectativa para as bancadas na Assembleia, Câmara dos Deputados e Senado? 

“Eu vim para Salvador para o lançamento da pré-candidatura do meu amigo e companheiro, Marcos Rezende, a deputado estadual, e também para fortalecer a nossa chapa, de deputados estaduais e federais, do Senado, com a Tâmara Azevedo, e a pré-candidatura ao Governo do Estado com Kléber Rosa e Ronaldo Mansur de vice. Vim aqui com esse objetivo de fortalecer o PSOL e de permitir que a gente tenha mais espaço da esquerda para garantir que a esquerda no estado da Bahia, representada pelo PSOL, conquiste mais espaços de poder e institucionais. Acho que isso é fundamental. Tenho feito isso também em outros estados do Brasil, porque nós temos um desafio muito grande esse ano, alé as medidas que nós precisamos, revogar a reforma trabalhista, o teto de gastos, aprovam de tirar o Bolsonaro, precisamos derrotar o centrão no Congresso Nacional, para aprovar um novo plano de investimento público no Brasil, isso passar pelo Congresso Nacional. Por isso eu estou muito empenhado em ajudar o PSOL a eleger a maior bancada possível”. 

No Brasil há a polarização Lula/Bolsonaro. Na Bahia, podemos ter ACM Neto/Jerônimo na cabeça da disputa. Como você vê as chances de Kleber Rosa, pré-candidato do PSOL para o Governo do Estado? 

“Eu acho que a candidatura de Kleber tem um papel de colocar um debate de esquerda que nenhuma outra colocaria. Particularmente no campo da segurança pública, o Kléber é profissional da segurança pública, é militante do movimento negro…muitas vezes as pessoas negras são as mais afetadas pelos abusos que existem da polícia, por práticas de chacinas e extermínio, por exemplo. Eu acho que Kleber tem condições de colocar debates, colocar um projeto, um programa para a Bahia,  que nem uma outra colocaria. Eu espero que a campanha dele cresça e que esse diálogo ecoe em vários setores da sociedade baiana”

O PSOL sempre optou por uma candidatura masculina na Bahia. Por que o partido não escolheu uma mulher para a candidatura ao Governo do Estado?

“Não acompanhei os debates internos que definiram isso na Bahia, mas posso te dizer com total convicção que o PSOL é o partido que mulheres têm o maior espaço de participação, de representação. Não só nas suas direções, como nos cargos eletivos. O PSOL é o único partido cuja bancada federal é de maioria feminina, e com uma forte representatividade negra. O PSOL aqui na Bahia tem a Tâmara Azevedo como candidata ao Senado, a única mulher negra e ativista que é candidata ao Senado. Não tenho como lhe dar essa resposta porque não acompanhei o debate interno específico na Bahia, mas em nível nacional, o PSOL tem valorizado muito a participação feminina e feminista na política. 

Por você ser do MTST, muitos atribuem que você invade casas, instituições e terras. Na última semana, a Câmara dos Deputados aprovou um PL que autoriza a utilização de imóveis por bancos como garantia de empréstimos. Qual sua impressão sobre o projeto?

“É uma vergonha. Essas mesmas pessoas da direita brasileira que sempre disseram que eu invadia casas, que o Movimento Sem Teto invade casas, tomava casa dos outros, estão autorizando que os bancos tomem as casas das pessoas. Sempre existiu no Brasil a impenhorabilidade do bem único. O que quer dizer isso? Aquele bem, mesmo que tenha dívida, é um lugar de mopradia da família, ele não pode ser tomado. E é isso que eles estão mudando. Eles querem jogar as famílias nas ruas. Jogar alguém porque não pagou sua prestação na rua para dar a casa para um banco. Isso é um escândalo e nós vamos lutar arduamente para derrubar esse PL no Senado, porque só atende ao interesse do sistema financeiro e cria ainda mais vulnerabilidade para as famílias brasileiras, que hoje estão endividadas, inclusive por essa crise econômica brutal que o governo Bolsonaro só aprofundou”.

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